terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

EngHaw - 5° O Papa é Pop

Olá, pessoas! (:


Em 1990 é lançado o 5° álbum dos EngHaw, 4° em estúdio, lançado em LP e CD, pela BMG. Neste disco a banda, pela primeira vez, assumiu integralmente a produção do conjunto, adotando teclados e bateria eletrônica, como já davam sinal nas inéditas do disco anterior (“Nau à deriva” e “Alívio Imediato”), por sentirem que já era a hora de deixa de ser uma “banda de garagem”, adquirindo assim uma roupagem mais progressiva. 


O Papa é Pop vem como um auto-questionamento da banda sobre seu próprio trabalho, preocupados em manterem-se com sua postura Anti-Sistema, afirmar sua rebeldia, mas nem por isso pregadora. 


Na época da criação da faixa-título, o Papa João Paulo II estava de passagem pelo Brasil, e tirou em PoA uma foto tomando chimarrão... 
“O Pop não poupa ninguém...”

A mídia tem suas armas para fazer a cabeça das pessoas, especialmente da juventude, e como Gessinger disse na época do lançamento: “O disco não é um panfleto!”. A banda tem uma mensagem, tem seus ideais, e sua “propaganda” principal é: “Ouça o que eu digo, não ouça ninguém!”.





Com mais de  400 mil cópias vendidas ainda no ano de lançamento, é considerado o disco que mais vendeu em toda a história da banda, e rendeu o título de maior banda de rock do país neste ano, segundo votação promovida pela revista Bizz e Veja.



Com o mesmo título da obre de Moacyr Scliar, é dividida em duas partes, e esta primeira é dedicada à Mathias Rust, aviador alemão que atravessou a defesa aérea soviética em 1987.
Com um som de cara já bem mais eletrônico, sem a euforia do rock mais underground. A bateria, como numa marcha, o arranjinho da guitarra dando um clima de história de herói... "O exército de um homem só" soa realmente como um canto de guerra, um preparativo solitário para uma luta pelo “difícil exercício de viver em paz, sem bandeiras, sem fronteiras pra defender...”.

Regravada da versão dos Incríveis, que por sua vez é uma versão portuguesa da italiana: C’era umragazzo che come me amava i Beatles e i Rolling Stones, de Gianni Morandi e Franco Migliacci, em 1966. Essa bela obra fala sobre um garoto promissor, como qualquer outro, que foi mandado à guerra, vive o horror deste cenário, e perde a vida pela razão tola da Guerra, que como consolo da vida sacrificada, traz o peito condecorado com medalhas de honra ao mérito, num caixão coberto pela bandeira de seu país.
Muito além de um triste relato, ela representa a voz de tantos que são obrigados a servir os ideias tortos da Guerra, tema tão presente nas músicas da banda.


A Segunda parte ainda fala do mesmo Mathias Rust, agora anos mais tarde, quando, de volta ao seu país (Alemanha), adota uma postura “em defesa da paz”, trocando o serviço militar por trabalho voluntário em um hospital. La apaixona-se por uma enfermeira e, não sendo correspondido, a esfaqueou (rs – humor negro é pouco...).
“Todos sabem que tanto faz, ser culpado ou ser capaz... Tanto faz”.

Mesmo “Atrás de brilho e de barulho/ Escondido dentro de sí mesmo”,
“todo mundo é moderno/ Todo mundo é eterno!”, então...
“Porque esse medo de ficar pra trás? De não ser sempre mais... De nunca mais poder?”

Toda ao piano, uma bela canção sobre amor à la EngHaw.
Um dos singles do disco, e dos maiores sucessos da banda.
Como é possível que duas pessoas que se conhecem tão bem, acabem como estranhas?
No final das contas, entre o pesar de uma história mal governada, e a esperança de que um dia, em um encontro casual, as coisas se encaixem e passem a fazer sentido... O mínimo que se espera é educação.

Quase parte da música anterior, como uma “variação sobre o mesmo tema”, num questionamento mais filosófico: “O que faz as pessoas parecerem tão iguais?/ 
Porque razão essa igualdade se desfaz? / Qual é a razão desse disfarce no olhar?”.

Na época do lançamento do disco, reza a lenda que, o cantor carioca Lulu Santos chamou publicamente o Gessinger de “Entertainer” e “alemão nazista” por causa dessa letra, rs.
Depois dessa eu nem vou comentar mais nada sobre... Hahahaha.
Deixo que tirem suas próprias conclusões! rs.


Trottoir = palavra de origem francesa, que se refere “calçada”, ou, lugar onde as pessoas passeiam e se conhecem. A Violência travestida, camuflada na nossa cultura “ganha espaço”, “se faz natural”, nos envolve como num passeio à toa.
“Armas de brinquedo/ Medo de brincar”, “Todo suicida acredita na vida depois da morte”.
Toda a trama tem sido armada e por comodismo ou inércia, absorvemos suas “regras, mandamentos/ Julgamentos, tribunais/ na vitória do mais forte, na derrota dos iguais...”.
A música Tem começo o num rock bem animado, belo solo de guitarra, riffs cativantes, baixo poderoso como sempre, bateria forte... E alterna com uma forma como num sussuro, contando o triste fim de um personagem, vítima de uma história que ele não escreveu... Que a violência travestida regeu. 
"Não se renda às evidencias, não se prenda à primeira impressão...".
     
Um retrato abstrato, polêmico e solitário da visão noturna de PoA, sob a "(ilusão de) ótica" de alguém que a conhece como a si mesmo. 
"Eu trago comigo os estragos da noite [...] 
Uma certeza, só uma certeza: Da próxima vez, só wisky escocês!
[...] Eu trago comigo os estragos da noite,
Meu reino por um rosto pelo resto da noite..."
      
     10. Ilusão De Ótica
Muita informação! Muitas frases familiares de outras músicas, muita filosofia...
“Cada um tem seu ponto de vista/ Encare a ilusão da sua ótica!”
Um fato interessante sobre essa faixa é que, há uma parte incompreensível, em que quando se virava o vinil, ouvia-se:
“Porque é que cê ta ouvindo isso ao contrário? O que é que cê ta procurando, hein?”,
e depois:
”Mal entendido/ Bem intencionado
Mal informado/ bem aventurado
Jesus salva/ Salve as baleias/ Leia livros
Safe sex/ Relax
O papa é pop/ O país é pobre/ O PIB é pouco,
O meu pipi no seu popô,
O Seu popô no meu pipi,
Poesia é um porre,
O futebol brasileiro são varias camisetas com a mesma propaganda de refrigerantes,
A juventude brasileira... Sem bandeiras, sem fronteiras pra defender”.

*Não posso deixar de me lembrar e comentar que, certa vez, lá pela 5°, 6° série, eu estava em casa com uns amigos de classe pra fazer um trabalho da escola, e coloquei meu CD deles pra ouvir (meu favorito! Quando chegar o post dele eu revelo qual é...). E então um amigo me pediu pra tirar... Disse que ouvira boatos que a banda tinha "pacto com o diabo" (Assim como a Xuxa - HAHAAHHA) e que, se eu colocasse o disco pra rodar ao contrário, ouviria a voz do ~demônio~ cantando... É, EngHaw, vocês divertiram muito a minha infância!! rsrsrs.
   
     11. Perfeita Simetria
Musica “irmã” de “O papa é pop”, que fala de um amor mal sucedido, e mal superado.
Um notório desespero que oscila entre a mágoa e a vontade de recuperar o que foi perdido... A perfeita simetria entre duas pessoas, que deixou de existir, como em “Olhos iguais aos seus”.

O álbum na íntegra... Enjoy! *-*


Até a próxima, com Várias Variáveis!
o/


6 comentários:

  1. A versão original de "era um garoto" é muito legal. Eu sabia que era italiana, mas nunca tinha procurado pra ouvir. Adorei!

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  2. HAHAHHAHA!!!
    Não sabia dessa "mensagem escondida no vinil". Muito bem humorado, não?
    "O meu pipi no seu popô, O Seu popô no meu pipi" kkk
    Foi febre no carnaval em 89!

    http://www.youtube.com/watch?v=9F9wIxnApBY

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  3. Desculpem pelos comentários aos montes, mas gosto muito desse álbum.
    É o auge dos caras né. Bombaram na mídia.
    Lembro quando os conheci, em 91, assistindo o Rock in Rio pela televisão. Apaixonante. Muita pegada, muita energia. Muita consciência política.
    Lembro-me de ouvir muito. Em casa, no rádio, em qualquer lugar.

    Sem saber o porque, fui deixando de curtir. Hoje vendo como a crítica torceu o nariz na época, entendo melhor.

    BTW, Anoiteceu em Porto Alegre é uma música maravilhosa, que eu só entendi quando estive lá. Recomendo a todo mundo ver o por-do-dol à beira do rio Guayba pelo menos uma vez na vida.

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  4. Legal a versão original, né?! Achei que valia a pena postar, muito bacana...

    Hahahahaha, e essa marchinha?? Sensacionaaal!!! Eu não conhecia essa do Pipi e do Popo... huashuahsuas... Redescobrindo a obra... rsrs.

    É, esse disco realmente é demais! *-* Quem sabe um dia eu vá ver o por-do-sol lá em PoA, pra sentir essa energia também...

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