quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Raul Seixas - Introdução


Oi, eu sou o Salinas! Raul Seixas atuou nas décadas de 60 a 80, e reuniu um séquito que o idolatra até hoje. Covers de Raul e fã-clubes ultrapassam gerações, a data de sua morte é lembrada todos os anos na Passeata do Raul (em São Paulo), e o bordão "Toca Raul!", declinado por alguns, respeitado por outros, é presença constante em qualquer casa de show, de qualquer estilo, em qualquer momento.

A discografia de estúdio do Raulzito é composta por 17 discos. O primeiro foi o único da banda Raulzito e os Panteras (1968), que foi a primeira banda "pra valer" de Raul. Em seguida vem Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez (1971), onde Raul atuou e também produziu, nos seus tempos da gravadora CBS. Aqui já havia uma prévia do que Raul faria nos anos seguintes, misturando rock com outros ritmos, de baião a tango.

Em 1973 começa a carreira solo do Maluco Beleza, com Krig-Ha Bandolo, já com o parceiro Paulo Coelho, co-autor de vários hits de Raul. No disco seguinte, Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock, ele faz uma homenagem aos clássicos que o influenciaram. Em Gita (1974) ele apresenta o conceito da Sociedade Alternativa, o que lhe rende um período de prisão e tortura nos porões da ditadura. Mas em 1975 ele retorna, ainda que timidamente, com Novo Aeon, e em 1976 faz muito sucesso com Há 10 Mil Anos Atrás. No ano seguinte vem mais um álbum de rock covers, Raul Rock Seixas e, mudando de gravadora (Philips para WEA), O Dia em que a Terra Parou. Nessa época, os problemas de saúde começam a aparecer, relacionados ao excesso de álcool. Em 1978 ele volta para sua Bahia natal e compõe Mata Virgem, que foi o último em parceria com Paulo Coelho. Em 1979 grava Por Quem os Sinos Dobram, e já no começo da decadência, muda de gravadora novamente (CBS) e em 1980 grava Abre-te Sésamo.

Nessa época Raul cai no ostracismo e fica 3 anos sem gravadora. Tenta voltar às paradas em 1983 com um disco homônimo pela Eldorado, e em 1984 com Metrô Linha 743 pela Som Livre. Mas seus discos não vinham fazendo sucesso há tempos, e em 1985, já debilitado, ele para de fazer shows. Em 1987, Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! alcança relativo sucesso, que não se repete em 1988, com A Pedra do Gênesis. No ano seguinte Marcelo Nova, que começava sua carreira solo após o primeiro fim do Camisa de Vênus, gravou com ele A Panela do Diabo (1989), que foi lançado dois dias antes da morte de Raul, aos 44 anos, vítima de pancreatite aguda.

Eu não conhecia Raul até poucos anos atrás. Claro, conhecia aquela "superfície" q todos conhecem, sabia que era um cara importante na música, que morreu quando eu era ainda criança. Lembro de um disco infantil q tinha em casa, q entre várias outras tinha "Carimbador Maluco". Até que uma amiga resolveu gravar um cd de mp3 do Raul pra mim. Comecei a ouvir, assim solto, jogando tudo no shuffle do Winamp. Mas apenas ouvir aleatoriamente não basta pra conhecer um artista... é necessário ouvir DISCO A DISCO.

O curioso é que muito da inovação musical que Raul trouxe não foi valorizada na época. Apesar do sucesso, ele era visto muito mais como um roqueiro norte-americanizado, do que pelos conhecimentos musicais "enciclopédicos" que no começo lhe arrumaram emprego na CBS. Um dos fatores pode estar relacionado com o ufanismo patriótico da época, resumido no "Brasil, ame-o ou deixe-o". Mesmo os tropicalistas, seminais como foram e são, tiveram pouca ou nenhuma relação com Raul. A devida análise veio apenas postumamente. Só com o tempo, em perspectiva, é que se percebeu o quanto ele estava à frente de seu tempo. E criou-se o mito.

No próximo post vamos começar a analisar DISCO A DISCO essa obra.

Venha com a gente nessa viagem pelos ensinamentos do Mestre!


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