
A discografia de estúdio do Raulzito é composta por 17 discos. O primeiro foi o único da banda Raulzito e os Panteras (1968), que foi a primeira banda "pra valer" de Raul. Em seguida vem Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez (1971), onde Raul atuou e também produziu, nos seus tempos da gravadora CBS. Aqui já havia uma prévia do que Raul faria nos anos seguintes, misturando rock com outros ritmos, de baião a tango.
Em 1973 começa a carreira solo do Maluco Beleza, com Krig-Ha Bandolo, já com o parceiro Paulo Coelho, co-autor de vários hits de Raul. No disco seguinte, Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock, ele faz uma homenagem aos clássicos que o influenciaram. Em Gita (1974) ele apresenta o conceito da Sociedade Alternativa, o que lhe rende um período de prisão e tortura nos porões da ditadura. Mas em 1975 ele retorna, ainda que timidamente, com Novo Aeon, e em 1976 faz muito sucesso com Há 10 Mil Anos Atrás. No ano seguinte vem mais um álbum de rock covers, Raul Rock Seixas e, mudando de gravadora (Philips para WEA), O Dia em que a Terra Parou. Nessa época, os problemas de saúde começam a aparecer, relacionados ao excesso de álcool. Em 1978 ele volta para sua Bahia natal e compõe Mata Virgem, que foi o último em parceria com Paulo Coelho. Em 1979 grava Por Quem os Sinos Dobram, e já no começo da decadência, muda de gravadora novamente (CBS) e em 1980 grava Abre-te Sésamo.
Nessa época Raul cai no ostracismo e fica 3 anos sem gravadora. Tenta voltar às paradas em 1983 com um disco homônimo pela Eldorado, e em 1984 com Metrô Linha 743 pela Som Livre. Mas seus discos não vinham fazendo sucesso há tempos, e em 1985, já debilitado, ele para de fazer shows. Em 1987, Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! alcança relativo sucesso, que não se repete em 1988, com A Pedra do Gênesis. No ano seguinte Marcelo Nova, que começava sua carreira solo após o primeiro fim do Camisa de Vênus, gravou com ele A Panela do Diabo (1989), que foi lançado dois dias antes da morte de Raul, aos 44 anos, vítima de pancreatite aguda.

O curioso é que muito da inovação musical que Raul trouxe não foi valorizada na época. Apesar do sucesso, ele era visto muito mais como um roqueiro norte-americanizado, do que pelos conhecimentos musicais "enciclopédicos" que no começo lhe arrumaram emprego na CBS. Um dos fatores pode estar relacionado com o ufanismo patriótico da época, resumido no "Brasil, ame-o ou deixe-o". Mesmo os tropicalistas, seminais como foram e são, tiveram pouca ou nenhuma relação com Raul. A devida análise veio apenas postumamente. Só com o tempo, em perspectiva, é que se percebeu o quanto ele estava à frente de seu tempo. E criou-se o mito.
No próximo post vamos começar a analisar DISCO A DISCO essa obra.
Venha com a gente nessa viagem pelos ensinamentos do Mestre!
Toca Raul!!!
ResponderExcluirBoa escolha Salinas!
ResponderExcluirO cara que é o início, o fim e o meio... Salve, Raul!
ResponderExcluirFaz um com cada disco lançado,,, aguardarei.
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