quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Kiss 17 - Asylum (1985)

Oi, eu sou o Salinas! Asylum foi mais um disco da chamada "fase glam" do Kiss. O relativo sucesso de Animalize os levou à conclusão de continuar com as plumas, paetês e sensualidade. Mas ainda na turnê o guitarrista Mark St John teve que cair fora por um problema nas mãos, substituído por Bruce Kulick. Era o terceiro guitarrista depois de Ace Frehley, pra tentar finalmente sossegar numa formação por uns anos.

Mas não ainda. Gene Simmons continua investindo em suas outras carreiras, como ator de cinema e produtor de bandas, e apesar de assinar algumas faixas do disco, ficava só "part time" nas tarefas Kissísticas. Delegou o baixo em duas faixas. Não é impossível que em algum show dessa época tenha sido usado um sósia...

Quanto ao som, não tem como não ficar com aquela sensação de mais do mesmo. Gene dando em cima de geral, e Paul fazendo suas declaraçõezinhas de amor. Mas o disco já não pinga tanta testosterona como os anteriores. As metáforas sexuais são menos pesadas, eles estão até um pouco mais poéticos (mas só um pouco...). Eric Carr segurando legal o refrão na batera. E o novo guitarrista, depois de amargar um período como "estagiário assistente" do Mark St John, finalmente conquistou seu lugar na banda e agora tá cheio de gás!

"King of the Mountain" (Paul, Bruce, Desmond Child)

A primeira faixa, poderosa e triunfal, começa num rápido solo de bateria. Depois da Intro, vemos novamente Paul desfilando seus agudos técnicos, e novamente sem entrar no âmbito mulherístico. Será que tudo aquilo era só influencia do Gene? Pode ser até uma indireta, justamente para o ausente ex-Demônio, em "eu vou subir a montanha, decida-se, vamos em frente". Bruce mostrando serviço: Na falta de um, manda logo dois solos matadores!

"Any Way You Slice It" (Gene, Howard Rice)

Gene tentando pegar uma novinha, e pelo jeito virgem. Ele sabe que ela quer "cruzar a fronteira", e lá esta o nosso herói, pronto para o grande sacríficio de ajudá-la nessa penosa empreitada, usando seu "amuleto". Momento "batida na bateria eletrônica" logo depois de outro solo matador do Bruce, um dos melhores do disco! No final pára tudo e Gene puxa o tapete, terminando esse quase-metal com uma tremenda descida blues.

"Who Wants to Be Lonely" (Paul, Child, Jean Beauvoir)

Paul agora numa faixa mais lenta, faz sua declaraçãozinha de amor. A mina tá querendo deixar "o momento escapar", mas Paul não deixa barato. Olha bem nos olhos dela com aqueles olhões caídos e lasca o xaveco, "quem é que quer ficar sozinho, e quem é que quer te abraçar forte"? Mais um solinho do Bruce, mas este foi mais curtinho.

"Trial By Fire" (Gene, Bruce)

Gene numa batida lenta, mas não arrastada. De fato não se trata mais do Demônio. E parece que a carapuça serviu na primeira faixa, pois aqui ele responde à altura pro Paul: "só tenho uma vida pra viver" (quase testemunhando o nascimento do famoso bordão YOLO), "alguns dizem que vou longe demais, eu não me importo". A estranha amizade entre dois mitos, alimentada por uma feroz (mas saudável) competitividade.

"I'm Alive" (Paul, Bruce, Child)

Mas Paul não tá a fim de ficar batendo boca com o Gene. Não agora, com "tantas mulheres e tão pouco tempo". A batida alucinada do começo ao fim, entrecortada entre viradas de batera e licks lambidos, deixa bem claro: o cara tá na pegada, "uma gatinha te deixa legalzão, duas é melhor ainda", e essa é sua "regra de ouro". Ele andou doente um tempo atrás, mas já se recuperou e está melhor que nunca, largou as cobertas e as pílulas do médico. Sabe muito bem qual é seu melhor remédio, e nisso ele e Gene concordam completamente...

"Love's a Deadly Weapon" (Paul, Gene, Rod Swenson, Wes Beech)

Gene fazendo agora sua declaraçãozinha marota de amor, numa batida nem lenta nem arrastada, e mandando uns agudos que nem parecem dele. Fica "todo quente" quando vê a mina, e ela "diz que o detesta, mas depois ele a encontra na cama". Se o amor é uma arma mortal, ele tá afim é de acabar com a raça dela.

"Tears Are Falling" (Paul)

Uma levada mais lenta, parecendo final de filme da Sessão da Tarde. Paul com um estranho timbre rouco na voz, lembrando vagamente uma canção do antigo colega Peter Criss. Alguma coisa tá errada, quando ela olha para ele: "Alguém roubou seu coração, e começa a chover". Sobrou tristeza até pro solo matador...

"Secretly Cruel" (Gene)

Chega de tristeza, agora entra mais uma batida marotíssima do Gene contando de quando ele pegou uma mina, mas ela gostava de ficar enrolando e provocando até o último, só pra vê-lo desesperado. Mas logo com ele? Macaco velho, ele "não cai mais nessas: vem aqui gatinha, vem fazer rápido". Ela pode ser o fogo, mas ele é o combustível!

"Radar for Love" (Paul, Child)

Paul lança seu xaveco mais furado dos últimos discos. Nem as minas acreditam nessa historia que ele tem um "radar do amor", mas ele garante: quando a mina "está que não se aguenta", é só mandar um SOS, que ele pega na antena. Ele é o cara, se ele não fizer direitinho, mina, não tem quem faça...

"Uh! All Night" (Paul, Child, Beauvoir)

Paul fecha o disco com uma lenta e bem simpática. Pra todos aqueles que trabalham feito jumentos todo dia, a "prisão começa as quinze pras nove e acaba as cinco e quinze". Haja amor no coração pra continuar "puxando a corda nesse zoológico humano", e o pior, sem saber o porquê disso tudo. Mas não importa, chegando em casa você encontra aquela pessoa especial "embaixo das cobertas", e depois de trabalhar todo o dia, é só "Uh! a noite toda!"

Mais infos sobre o disco, aqui. E quem não encontrar nas boas casas do ramo terá que procurar as faixas pelo Youtube, pois não tem link direto para o álbum completo.


E é isso!


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Bad Religion 4 – Back to the Known - EP (1985)


Nota: 7

Pegadas do Frogger na capa do EP
Depois de se aventurar no desconhecido território do rock progressivo, quebrar a cara e “terminar” por quase um ano por ter lançado o fraquíssimo “Into The Unknown” em 1983, o Bad Religion resolveu ressurgir das cinzas e voltar a fazer o que melhor fazia, até então: Punk Rock!

Era o final de 1984 e cada membro estava cuidado da sua vida, quando o guitarrista do Circle Jerks, Greg Hetson, que já havia gravado um solo na música “Part III” no debute do BR, ao saber que sua banda ia dar uma parada de um ano, contatou o vocalista Greg Graffin e propôs, assim, na caruda, que ele voltasse com o Bad Religion com ele na guitarra!

Greg Hetson: a culpa é dele!
Com um novo guitarrista cheio de gás no time, Graffin, então, recrutou novamente o baterista Pete Finestone (que gravou o primeiro LP, mas havia picado a mula antes de “Into The Unknown”, pra não pagar mico) e o baixista Tim Gallegos, do Wasted Youth, e partiu para recuperar o território perdido. Seu principal objetivo: voltar ao Punk Rock! E foi assim que, em meados de 1985, o Bad Religion fez as pazes com seus “fãs moicanos”, lançando o espertamente intitulado EP “Back to the Known” (“Volta ao Conhecido” em uma tradução livre).

O antigo guitarrista, compositor e dono da gravadora da banda (a Epitaph) Brett Gurewitz (ou apenas Mr. Brett) também fora chamado para integrar o time, mas, devido ao filme queimado pelo disco anterior, hesitou. Mesmo assim, ele acabou aceitando ficar na produção e a trabalhar como engenheiro de som no álbum, sendo que este acabou sendo o seu primeiro trabalho atrás da mesa de som (hoje em dia, além de dono da Epitaph, Brett é um produtor de mão-cheia, altamente requisitado nos EUA).

E o Bad Religion precisou apenas de 5 músicas, dividas em pouco mais de 10 minutos, pra provar pra si mesmo que o seu negócio era (e ainda é) o Punk Rock! Originalmente com músicas prensadas apenas no lado B do vinil de 12 polegadas (pra dar mais impacto no ouvinte), o EP “Back to the Known” trouxe um pouco de esperança e vida ao desgastado cenário punk americano de 1985, que na época estava bem divido com brigas entre straight-edges e hardcores dividindo o público dos shows.

Contracapa do EP, mostrando apenas o "side two"
O EP abre com a esperta “Yesterday”, punk rock de levada gostosa pra pogar, composta por Graffin, e com um riff marcante, que domina a faixa quase de ponta-a-ponta, inclusive intercalando com paradinhas da bateria no fim do som. Em seguida, a roda de pogo fica violenta com a hardcore curta e grossa “Frogger”, composta por Greg Hetson sobre o primitivo (e clássico) joguinho de videogame do sapinho que tentava atravessar uma caótica avenida.

A terceira faixa é mais uma edição da música “Bad Religion”, que já havia aparecido no EP de estreia autointitulado e no LP “How Could Hell Be Any Worse?”. Aqui, ela recebeu um andamento mais lento e cheio de paradinhas, o quê, se por um lado tornou a música mais audível aos ouvidos menos acostumados, por outro tirou totalmente o punch, tornado-a o ponto fraco do EP, junto com a quinta e última faixa, um punkinho bem alegrinho chamado “New Leaf”, que eu classificaria como “dispensável”...

A faixa que realmente faz do EP “Back to the Known” um item válido de ouvir/adquirir, é a número 4, “Along the Way”. Presente nos shows do BR até hoje, ela é tida como uma das melhores músicas da banda pelos fãs. Composta por Greg Graffin em cima de apenas um único riff de guitarra de 5 notas, sua introdução, marcada pelo bumbo da bateria, é um paradoxal convite a um sing-along de uma letra sem refrão e que não se repete, mas que empolga mesmo assim.
Detalhe do vinil 12"
A exemplo de seu antecessor, “Back to the Known” acabou sendo bastante pirateado, com vários bootlegs sendo lançados no mercado. Para amenizar o dano, a gravadora Epitaph resolveu disponibilizar o EP inteiro na coletânea “80-85”, lançada em 1991. Em 2010, na ocasião de comemoração dos 30 anos do BR, o EP foi finalmente relançado e, para manter a arte original do encarte, o selo teve que pedir uma cópia original de 1985 para um fã, já que não havia mais nenhuma em seus arquivos.

Mesmo com a boa repercussão pela volta às raízes punk com o EP, uma série de eventos pessoais envolvendo os integrantes da banda fez o Bad Religion entrar em um novo hiato que durou do fim de 85 até o meio 1987. Nesse meio tempo, Greg Graffin terminou seu mestrado na universidade e Brett conseguiu se livrar do vício em crack (!!!) (que punk, né?). Quando eles se reuniram novamente, em 87, eles mal sabiam, mas estavam prestes a mudar a história do Punk Rock com os rumos que sua música iria tomar, como veremos nas próximas resenhas! Até lá! :)

Escute "Back to the Known" abaixo:


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Kiss 16 - Animalize (1984)

 Oi, eu sou o Salinas! Antes de começar o post, quero só celebrar com os nossos leitores uma marca alcançada pelo Blog: este é o centésimo post do Disco a Disco!! Aeee, festa, fogos de artifício, espocar da champanha, retinir das taças, gritaria e alegria!

Ok, ok, ao que viemos. O resultado de Lick It Up foi bom: a "fase glam" fez bastante sucesso, compensando os ganhos reduzidos de Dynasty, Unmasked e The Elder. E em time que está ganhando, não se mexe!

Paul, Gene & Cia continuam destilando seu doce veneno de sensualidade e glamour, que já começa na capa do disco com os veludos de oncinha. O guitarrista Vinnie Vincent foi limado e deu lugar a Mark St. John, até então apenas um professor de guitarra. Eric Carr estava legal na batera. Quem não tava muito ligado na banda desta vez era o próprio Gene, cujo sucesso começou a subir à cabeça: ele começou vários projetos paralelos, carreira no cinema, produção de bandas e muitas outras jogadas, provando ao mundo que, mais que tocar música, o que ele queria era ganhar dinheiro mesmo. E com isso o peso ficou pro Paul, que nos últimos discos desenvolveu sua técnica vocal e agora faz questão de mostrar o que sabe. Gene até assina 4 faixas no disco, porém delegou o baixo em 3 outras faixas.

(A passagem de Mark St. John pelo Kiss foi bem curta. Ele tinha uma doença nas mãos, uma espécie de artrite, que o forçou a sair durante a turnê de Animalize, sendo substituído por Bruce Kulick. Formou outras bandas mais tarde, como a White Tiger, mas nunca mais teve grande sucesso. E morreu em 2007. #rip)

"I've Had Enough (Into the Fire)" (Paul, Desmond Child)

O disco já começa com a dinâmica lá em cima, e a guitarra ágil de St John fluindo com um timbre quase tecladístico. E pra variar um pouco, a letra não fala de mulheres: é quase um desabafo sobre quando as coisas não dão certo: "pessoas que mentem com a verdade nos olhos, contar que as coisas aconteçam sabendo que não vão acontecer", mas não adianta, "rezar e esperar não adianta nada, nada e ninguém vai me parar agora"! Será uma indireta? Para os ex Ace ou Peter? Ou talvez até pro Gene Simmons que não tá dando atenção pra banda?

"Heaven's on Fire" (Paul, Child)

O grande hit do disco! Batida lenta e arrastada, parece até uma do Gene. Mas não, é o Paul mandando mais uma declaraçãozinha de amor. Com sensualidade, mas até que desta vez tá maneiro, "ouça a minha respiração", e o barulho da respiração kkk. Provavelmente a nota mais aguda já emitida pela goela do cantor e guitarrista Stanley H. Eisen está nesta canção.

"Burn Bitch Burn" (Gene)

Agora sim a batida lenta e arrastada do demônio, digo, do Gene Simmons (agora sem máscara né), perdido em tantos ~projetos~, "tantas garotas e tão pouco tempo". E como de costume, com canastronices do nível "botar meu tronco na sua lareira, desta vez você mordeu mais do que pode mastigar". (No refrão do "burn bitch burn" tem uma pegada meio country no fundão ou é impressão minha?). Solo matador do Mark St John.

"Get All You Can Take" (Paul, Mitch Weissman)

Paul de novo dando lição de moral em vez de pegar menininhas por aí. O refrão pesadão enfatiza: "Pegue tudo que puder"! Nem que pra isso seja preciso "entortar as regras, se tiver meia chance, vá lá"! Pensando bem, acho que esta é a nota mais longa da história de Stanley H. Eizen. As aulas de vocal estão surtindo efeito, o cara está muito mais técnico que nos primeiros discos.

"Lonely Is the Hunter" (Gene)

Outra batida lenta e arrastada. Gene, sempre competitivo, não quis ficar atrás da técnica do Paul e inventou uma métrica estranha pros seus vocais, se você prestar atenção nos tempos, ele puxa o tapete o tempo todo. Pouco antes do solo matador, uma sequência de viradas de batera alternando dinâmicas. No mais, é uma das poucas vezes que Gene perdeu a batalha. Colocou "todos os ovos numa cesta", mas na "câmara de torturas" ela não deu nenhuma resposta. Até um Gene Simmons erra às vezes. Quem mandou deixar o "coração mandar"?

"Under the Gun" (Paul, Eric, Child)

Paul animadíssimo entra com tudo! Está com pressa de "ir pra estrada e fazer 69" (no velocímetro ou no banco de trás? kkkk Lembrando sempre, 69 milhas = 111 km/h). "Pé na tábua, preparar, apontar, já"! A bateria acelerada, marcada com a caixa marcando em semínima passa a sensação de acelerando naquelas estradas americanas no meio do deserto.

"Thrills in the Night" (Paul, Jean Beauvoir)

"Frios na noite"? (Não, não se trata de um vendedor de presunto e queijo que trabalha 24h.) Depois da loucura do 69 na estrada, esta faixa mais poética conta a história de uma moça, uma espécie de Macabéa do rock, que vive sua vida simples de trabalho, mas que, ao contrário da "estrela" de Clarice Lispector (ou assim como ela!), também tem seus arrepios e "emoções na noite". Solinho matador do Mark St John cheirando a perfume de motel. (sim, no "prices she pay" eu de relance também pensei que ele dizia "faz xixi em pé", o que dá uma leitura toda ~diferente~ pra música...)

"While the City Sleeps" (Gene, Weissman)

Gene Simmons, apesar dessa boa-vida de garotas, sabe que esse mundo é perigoso. "Enquanto a cidade dorme", o couro come violento por aí, é "olho por olho, não há alívio para mendigos, ladrões e perdedores". A única forma de sobreviver nesse mundo cão é "viver o dia sem perguntar por quê". Parece que Gene direcionou essa batida lenta e arrastada a algum detrator, pois para ele "viver bem é a melhor vingança".

"Murder in High Heels" (Gene, Weissman)

O disco fecha com aquela batida marota (e sim, lenta e arrastada), com um cigarro num canto da boca e um sorriso no outro. Tudo pra falar da mina mais malandra, perigosa e sabonete que ele já conheceu. Se ela aparecer "é melhor fazer o sinal da cruz, porque vai voar faísca"... É como "sal na ferida ou brincar com fogo". Dessas minas que saem à noite pensando no trouxa que vão enganar, passam a vida colecionando homens, brochadas, rubores, poças de suor no chão. É a "morte de salto alto"...

Mais infos sobre o disco, aqui. E quem não encontrar no Youtube pode quebrar o galho nas boas casas do ramo (ops, é o contrário):




E é isso!


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Bad Religion 3 – Into The Unknown (1983)

Nota: 1

 

BR: rumo ao desconhecido
Manja o “Load” do Metallica? Ou o “Virtual XI” do Iron Maiden? Ou o “Chinese Democracy” do Guns n’ Roses? Ou qualquer outro disco ruim e absolutamente decepcionante da sua banda favorita, seja lá qual ela for? Pois é... Eis que chegamos na maior “escorregada” da carreira do Bad Religion, responsável até mesmo por “acabar” com a banda por algum tempo (aquele hiato no meio dos Anos 80 que eu expliquei na introdução - AQUI): o estranhíssimo “Into The Unknown”, lançado em 30 de novembro de 1983, pela Epitaph Records, gravadora independente de propriedade do guitarrista da banda, Brett Gurewitz.

Fazendo muito jus ao título da bolacha, o Bad Religion, pela primeira vez estava “entrando em territórios desconhecidos”, musicalmente falando. Alegando que a cena punk de Los Angeles e arredores estava ficando muito “violenta” e “chata”, o até então quarteto resolveu chutar o balde bonito e “inovar” na estética do seu som, para meio que se “diferenciar” das associações que eles ganharam após o seu feroz debute (leia AQUI).

Se em “How Could Hell Be Any Worse?”, lançado um ano antes, eles seguiram a cartilha do Punk Hardcore, agradando em cheio até mesmo aos fãs mais “xiitas” do gênero, em “Into the Unknown”, eles tentaram soar como uma banda de Rock Progressivo, com uso excessivo e abusivo de teclados e músicas longas, fazendo exatamente o contrário do que se espera de uma banda de Punk Rock.
Uma das contracapas do play
Resultado: das primeiras 10 mil cópias que a Epitaph prensou do disco, 11 mil retornaram ao escritório da gravadora, como disse brincando o próprio guitarrista Mr. Brett em entrevistas posteriores. A outra força artística da banda, o vocalista Greg Graffin, se defendeu dizendo que só fez o “disco que queria fazer”, sem se importar com mais nada. Além de o disco empacar nas lojas e distribuidores, os shows do grupo minguaram, culminando no já falado break que eles deram, só voltando à ativa em 1985.

O problema nem foi a mudança radical de estilo, mas sim a falta total de tato, noção e inspiração para se aventurarem musicalmente em outros territórios. As histórias dizem que o disco foi composto inteiramente em um sintetizador Roland Juno 6 que Graffin granhou de Mr. Brett. E ele se empolgou tanto, que o som do teclado, tocado pelo cantor, acabou dominando todas as bases do disco, sufocando a guitarra (o instrumento que mais simboliza uma banda de ROCK) atrás de um timbre bem sem-vergonha, digno daqueles “teclados de churrascaria”.
Contracapa de um bootleg do disco
As músicas também perderam totalmente o punch, calcadas em um Hard Rock de progressões de acordes bem simples e bem repetitivas, e longas (para os standards do  Punk Rock). A menor faixa do disco, “Chasing the Wild Goose”, tem 2:50min, enquanto a maior, “Time and Disregard” chega aos soníferos 7:03min.

Não foi à toa que o baixista Jay Bentley abandonou a banda ainda no estúdio, no meio da gravação da primeira música. Nem mesmo a contratação do produtor Thom Wilson, responsável pela produção de inúmeros clássicos do “Punk California”, como os três primeiros discos do The Offspring (incluindo o seminal “Smash”), salvou o caldo, fazendo a banda sentir vergonha alheia mais tarde, por ter ousado fazer esse lançamento.

Outra historinha do “fracasso” desse play, diz que as últimas caixas dos discos que retornaram ao escritório da gravadora com os exemplares originais da primeira prensagem, e que hoje seriam consideradas verdadeiras relíquias para os colecionadores, foram queimadas sem dó pelo baixista e pelo guitarrista em uma “cerimônia purificadora” no quintal da casa de um deles... Isso fez com que inúmeros bootlegs do discos fossem “pirateamente” comercializados até o relançamento do álbum em 2010.
Anúncio do disco na revista Maximum Rock n' Roll
Ok. Sei que contei historinha pra caramba e falei pouco da música. Na boa? As histórias são mais interessantes mesmo. O próprio Bad Religion, em toda sua carreira, só tocou músicas do “Into The Unknown” duas vezes ao vivo: 1) no único show de promoção do disco, no comecinho de 1984; 2) em 2010, e, um dos shows de comemoração dos 30 anos da banda, quando mandaram uma versão bem guitarreira e sem teclados da menos piorzinha “Billy Gnosis”. E foi uma vez só. Acho que isso já explica, né?

Se quiser arriscar, aperta o play aí embaixo, mas vá por sua conta e risco. Eu pulo esse e vou direito pro apropriadamente intitulado EP “Back To The Known”, de 1985, que marcou a volta do Bad Religion ao Punk Rock, e que será objeto da próxima resenha! Até lá! ;)


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Kiss 15 - Lick It Up (1983)

Oi, eu sou o Salinas! Com Lick It Up, o Kiss continua sua pegada sensual e voltada pro público mais feminino. É a "fase glam". E pra provar que os tempos são outros, Gene toma uma arriscada decisão e resolve, depois 10 anos, finalmente tirar as máscaras. (sim claro, nós acreditamos que foram dezenas de línguas femininas no cio fazendo esse trabalho...)

A fase 80s do Kiss segue o que foi feito nos últimos álbuns. O arranjo de instrumentos tenta aumentar o peso, porém não a ponto de entrar no metal, ainda está bem dentro do patamar do hard rock. Já a temática das letras segue a cartilha do glam; espalhafatoso, mulherengo e canastrão. Farra e sexo são obviedades, com uso de substantivos apimentados, metáforas úmidas e refrões viscosos.

Vinnie Vincent, agora oficialmente o guitarrista dos Cavaleiros a Serviço de Satã, assina praticamente todas as faixas. Depois de tentar barganhar uma porcentagem no total dos lucros (o que foi prontamente declinado pelos chefes), ele tenta cavar seu lugar na banda "à força". Seu comportamento agressivo (que incluía solos intermináveis no meio do show com a banda esperando, e sair no braço com Paul nos camarins) acabaria por expulsá-lo da banda logo após a turnê desde disco.

"Exciter" (Paul, Vinnie)

A fricção da guitarra já deixa claro o tipo de ~excitação~ a que Paul se refere: é aquela que "sabe tudo que você quer e precisa, e te dará mais que nunca quando você abrir... seus braços". Sei.

"Not for the Innocent" (Gene, Vinnie)

Agora é a vez do Gene se apresentar, com aquela famosa batida lenta e arrastada, atualizada para os glamourosos anos 80. "Maus hábitos gotejando como mel, línguas lambendo, tranquem suas filhas, estamos chegando" resumem Gene Simmons e seu modus operandi. Solo matador do Vinnie Vincent.

"Lick It Up" (Paul, Vinnie)

O grande hit do disco! Lentão e arrastado quase como nas batidas do Gene, mas com o esganiçado e alucinado Paul nos vocais. Chega de perder tempo, chegaê, vamos aproveitar a noite... "lambe aí"!

"Young and Wasted" (Gene, Vinnie)

Gene ataca novamente, especialista em manipular tentações. Vê as garotas ao seu redor como "moscas em direção à teia, com macaquinhos correndo pelas costas" (taí uma metáfora nova pra um arrepio), vindo em fila para o matadouro, tão "jovens e desperdiçadas".

"Gimme More" (Paul, Vinnie)

"Me dê mais!!!" Tem que explicar mesmo, produção?

"All Hell's Breakin' Loose" (Eric, Paul, Gene, Vinnie)

O outro hit do disco! Finalmente os quatro estão satisfeitos de mulheres (por enquanto). A juventude agora encontra outro canal pra se expressar: a "revolução,  a nova sensação, a luta com a instituição" (num disco do Kiss? Pode isso, Arnaldo?) Um arranjo diferente pra uma música do Kiss, com estrofes faladas.

"A Million to One" (Paul, Vinnie)

Pra variar um pouco, Paul desta vez está terminando com a gaja: "pode com o coração brincar / tem alguém melhor que eu / mas você nunca vai achar / um amor melhor que o meu" (sim, tentei rimar na tradução, pra você ver como até o Kiss pode soar piegas! Pronto falei) Paul aproveita pra encaixar um de seus agudos mais longos. Solo matador com tapping e paixonite de motel.

"Fits Like a Glove" (Gene)

Guitarrinha marota na intro.... UH! Gene não quer deixa por menos, tá na pegada, sua "serpente viva e pronta pra morder", mas a mina tá se fazendo de difícil e ele tenta com todos os argumentos levá-la pra "onde o sol nunca bate". Solo matador da "faca quente na manteiga"! E o demônio não fica pra trás e manda seu agudo longo também.

"Dance All Over Your Face" (Gene)

Gene traz novamente sua batida lenta e arrastada, mas para nossa surpresa, desta vez ele foi corneado. Viu "uma mancha de batom do seu beijo", e agora vai se vingar "sapateando na sua cara". Será que era a mesma mina que "servia como uma luva" na faixa anterior? O baixo faz uns licks legais acompanhando o solo.

"And on the 8th Day" (Gene, Vinnie)

E pra fechar o disco, Intro na guitarra bem pra cima, pausa e batida lenta e arrastada do Gene again. As influências progressivas de grandiosidade ficaram na cabeça dele após The Elder, e resultaram nesse hino ao rock & roll, criado divinamente "no oitavo dia".

Mais infos sobre o disco, aqui. E quem não encontrar nas boas casas do ramo pode quebrar o galho no Youtube:



E é isso!