quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Raul Seixas 6 - Novo Aeon (1975)

Oi, eu sou o Salinas! Novo Aeon não conseguiu repetir o sucesso do disco anterior, Gita, mas a esta altura
Raul já era bem conhecido. Todo mundo tem seus altos e baixos! O fato de ele ter sido exilado pode ter contribuído...

De qualquer forma, este disco é bem menos engajado politicamente. As canções giram muito mais na esfera existencial/filosófica do que na crítica social. Também cita bem pouco a Sociedade Alternativa, que lhe causou problemas no passado. O próprio título do disco sugere essa mudança de rumos do "Metamorfose Ambulante".

O disco contém outras parcerias além de Paulo Coelho. O escritor e estudioso da Lei de Thelema Marcelo Motta, além de Cláudio Roberto e da própria mulher de Raul, Glória Vaquer (sob o pseudônimo de Spacey Glow), e também Eladio Gilbraz, que participou d'Os Panteras.

"Tente Outra Vez" (Raul / Paulo / Marcelo Motta)

Grande clássico do Raul, que muita gente associa a momentos de dor e superação no esporte. Mas um pequeno detalhe faz muita diferença: este disco foi gravado após Raul ter sido preso, torturado e exilado. Ele fala com muita propriedade: não importa o que aconteceu e o quanto doeu, o importante é que ele vai "levantar sua mão sedenta e recomeçar a andar".

"Rock do Diabo" (Raul / Paulo)

Autêntico "rock pauleira 70s"! Raul fala com todas as letras que esse cara de vermelho, chifres e tridente é uma grande bobagem... não existe diabo! Ele traz o conceito grego: "Existem dois diabos / Só que um parou na pista / Um deles é do toque / O outro é aquele do exorcista..." Esse diabo "do toque" é o tal daemon grego que originou a palavra "demônio", e que nada mais é que o espírito e a inteligência humanas, que podem ser usadas pro bem ou pro mal. O outro, o "do exorcista", é a papagaiada que a igreja inventou... (sim, o filme já existia, mas Raul se refere também como ao pomposo ~cargo~)

"A Maçã" (Raul / Paulo / Marcelo Motta)

Raul profético. Quando a revolução sexual estava só no começo, o grande público só começando a entender as pílulas anticoncepcionais e a diversidade sexual, ele faz uma homenagem ao amor livre. As amarras do casamento já naquele tempo apodreciam. Ninguém tem obrigação de satisfazer todas as fantasias e vontades de alguém, nem esperar que uma única pessoa possa satisfazer todas as suas fantasias e vontades. É esperar demais de uma pessoa só!! Não é pecado buscar o prazer com mais de uma pessoa, e mesmo de sexos diferentes. E até hoje isso é difícil de aceitar pra muita gente: "Se eu te amo e tu me amas / E outro vem quando tu chamas / Como poderei te condenar" (...) "Amor só dura em liberdade / O ciúme é só vaidade" (...) "O que é que eu quero / Se eu te privo / Do que eu mais venero / Que é a beleza de deitar..."

"Eu Sou Egoísta" (Raul / Marcelo Motta)

O título desta música pode à primeira vista ser contraditório com a música anterior. Mas aqui é outro contexto: a busca da própria felicidade deve ser a regra que norteia o ser humano. Sem se prender a regras criadas pelos outros, sem depender dos outros e sem deixar que outros dependam de você! Nesse sentido ela tem tudo a ver com A Maçã: a sua felicidade não pode depender de uma pessoa, e nem mesmo de várias pessoas! "Pois o homem é o exercício que faz".

"Caminhos" (Raul / Paulo)

Começa lentinha no violão, poética, desaguando num repente. Talvez endereçada a seus críticos da geração anterior que lhe perguntavam "onde é que você quer chegar com tudo isso?" E Raul responde através de uma série de metáforas, que os caminhos são muitos mas ao mesmo tempo são naturais. Ele apenas segue a sua própria natureza sendo aquilo que é. Mas na última estrofe os caminhos não são nada metafóricos: "O caminho do risco é o sucesso / O do acaso é a sorte / O da dor é o amigo / O caminho da vida é a morte!"

"Tu És o MDC da Minha Vida" (Raul / Paulo)

A melhor declaração de amor de todos os tempos! Impossível não se derreter com esta balada rock (com o sax comendo solto no fundão...) Gravada ao vivo, Raul começa a levantar vários detalhes da vida do casal, desde o Flávio Cavalcanti até Casas da Banha (uma rede de hipermercados da época), Sansui Garrard Gradiente (marcas de aparelhos de som). A metáfora do MDC (máximo denominador comum) é o seguinte: a "primeira garota da fila", no caso, é a mais linda capaz de ~dividi-lo~, de deixá-lo louco, etc, mas ao mesmo é ~divisor comum~, ou seja, divide outros ~números~ também. Como por exemplo, "o colega Nestor"... mas eu ainda acho que depois desta música ela largou todos os outros!

"A Verdade Sobre a Nostalgia" (Raul / Paulo)

Rock 50's do bom!! Aqui Raul começa falando sobre o conflito de gerações e sobre o fim do rock, pois como ele mesmo dizia o rock morreu em 1959 quando Elvis entrou pro exército. Isso pode parecer estranho pra nossa geração onde "tudo é rock", mas pra ele o psicodélico, progressivo, hard rock, eram vertentes recentes... "o negócio é rockão antigo"!! Mas depois fica claro o recado: não fique se lamentando pelo fato do rock não ser mais o que era, pegue ele e leve-o além, inove! "Porém, atrás da curva / Perigosa eu sei que existe / Alguma coisa nova / Mais vibrante e menos triste"

"Para Nóia" (Raul)

O tema meio staccato passa o tom da música, sorrateiro, Raul trancado em casa com medo. Da perseguição dos militares, talvez? Ou dos próprios demônios e da culpa desnecessária, alimentada por séculos de martelação de igreja?  Ele mescla os dois temas pra na verdade falar de ambos, a grande paranoia da humanidade, cuja única mudança até hoje é ter perdido um acento agudo.

"Peixuxa (O Amiguinho dos Peixes)" (Raul / Marcelo Motta)

Versãozinha dos Beatles, o tema bem infantil nos faz pensar naqueles desenhos animados no fundo do mar. A criançada conhece o Peixuxa, um guardião que espeta com seu tridente aqueles que poluem o mar. Mas os adultos percebem que Raul faz uma crítica aos políticos, que "não são peixes mas não morrem afogados". Políticos que na frente de todo mundo dão bom dia e boa noite, mas longe das câmeras não oferecem nada de bom: "se não é dia, e se não é noite / Peixuxa amavelmente dá maresia" (Maresia é a borrifação altamente corrosiva causada pelo quebrar das ondas na praia)

"É Fim de Mês" (Raul)

Misturada de ritmos, começa com uma macumba, vai pro baião, ritmos latinos, e termina num rock. Raul debocha da manipulação que sofremos do sistema capitalista, desde o "agendamento" imposto pela data do salário, até comportamentos, marcas, até o próprio trabalho do psiquiatra que, na visão dele, não faz senão te convencer que aquilo tudo é o melhor pra você.

"Sunseed" (Raul / Spacey Glow (Glória Vaquer))

Alguns dizem que esta balada lenta é dedicada à filha dele, Scarlet, que nasceu em 1976, uma época turbulenta e complicada. Mas não tem problema, não é o fim de tudo. Pois com essa "semente de girassol" (sunflower - não é semente do Sol, como todo mundo pensa), Raul pode até mesmo rir em frente à tempestade.

"Caminhos II" (Raul / Paulo / Eládio Gilbraz)

Releitura da faixa anterior, com partes da mesma letra. Porém num clima muito mais tenso. Mas a mensagem é mantida: os caminhos e as opiniões são múltiplas e desencontradas, mas no final tudo acaba se resolvendo pois tudo segue seu curso natural. Determinismo pouco é bobagem!

"Novo Aeon" (Raul / Cláudio Roberto / Marcelo Motta)

A faixa anterior aparentemente era o fim do disco, mas Raul incluiu uma última faixa, voltando a falar da Sociedade Alternativa. Uma esperança em perceber que os tempos, finalmente, estão começando a mudar, e mais uma explicação pra quem ainda não entendeu (no caso, os militares, que pelo jeito ainda estavam de olho no Raulzito): "querer o meu não é roubar o seu / pois o que eu quero é só em função de eu"

Mais infos sobre o disco, aqui. E quem não encontrar nas boas casas do ramo pode quebrar o galho no Youtube:



E é isso!


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

EngHaw - 5° O Papa é Pop

Olá, pessoas! (:


Em 1990 é lançado o 5° álbum dos EngHaw, 4° em estúdio, lançado em LP e CD, pela BMG. Neste disco a banda, pela primeira vez, assumiu integralmente a produção do conjunto, adotando teclados e bateria eletrônica, como já davam sinal nas inéditas do disco anterior (“Nau à deriva” e “Alívio Imediato”), por sentirem que já era a hora de deixa de ser uma “banda de garagem”, adquirindo assim uma roupagem mais progressiva. 


O Papa é Pop vem como um auto-questionamento da banda sobre seu próprio trabalho, preocupados em manterem-se com sua postura Anti-Sistema, afirmar sua rebeldia, mas nem por isso pregadora. 


Na época da criação da faixa-título, o Papa João Paulo II estava de passagem pelo Brasil, e tirou em PoA uma foto tomando chimarrão... 
“O Pop não poupa ninguém...”

A mídia tem suas armas para fazer a cabeça das pessoas, especialmente da juventude, e como Gessinger disse na época do lançamento: “O disco não é um panfleto!”. A banda tem uma mensagem, tem seus ideais, e sua “propaganda” principal é: “Ouça o que eu digo, não ouça ninguém!”.





Com mais de  400 mil cópias vendidas ainda no ano de lançamento, é considerado o disco que mais vendeu em toda a história da banda, e rendeu o título de maior banda de rock do país neste ano, segundo votação promovida pela revista Bizz e Veja.



Com o mesmo título da obre de Moacyr Scliar, é dividida em duas partes, e esta primeira é dedicada à Mathias Rust, aviador alemão que atravessou a defesa aérea soviética em 1987.
Com um som de cara já bem mais eletrônico, sem a euforia do rock mais underground. A bateria, como numa marcha, o arranjinho da guitarra dando um clima de história de herói... "O exército de um homem só" soa realmente como um canto de guerra, um preparativo solitário para uma luta pelo “difícil exercício de viver em paz, sem bandeiras, sem fronteiras pra defender...”.

Regravada da versão dos Incríveis, que por sua vez é uma versão portuguesa da italiana: C’era umragazzo che come me amava i Beatles e i Rolling Stones, de Gianni Morandi e Franco Migliacci, em 1966. Essa bela obra fala sobre um garoto promissor, como qualquer outro, que foi mandado à guerra, vive o horror deste cenário, e perde a vida pela razão tola da Guerra, que como consolo da vida sacrificada, traz o peito condecorado com medalhas de honra ao mérito, num caixão coberto pela bandeira de seu país.
Muito além de um triste relato, ela representa a voz de tantos que são obrigados a servir os ideias tortos da Guerra, tema tão presente nas músicas da banda.


A Segunda parte ainda fala do mesmo Mathias Rust, agora anos mais tarde, quando, de volta ao seu país (Alemanha), adota uma postura “em defesa da paz”, trocando o serviço militar por trabalho voluntário em um hospital. La apaixona-se por uma enfermeira e, não sendo correspondido, a esfaqueou (rs – humor negro é pouco...).
“Todos sabem que tanto faz, ser culpado ou ser capaz... Tanto faz”.

Mesmo “Atrás de brilho e de barulho/ Escondido dentro de sí mesmo”,
“todo mundo é moderno/ Todo mundo é eterno!”, então...
“Porque esse medo de ficar pra trás? De não ser sempre mais... De nunca mais poder?”

Toda ao piano, uma bela canção sobre amor à la EngHaw.
Um dos singles do disco, e dos maiores sucessos da banda.
Como é possível que duas pessoas que se conhecem tão bem, acabem como estranhas?
No final das contas, entre o pesar de uma história mal governada, e a esperança de que um dia, em um encontro casual, as coisas se encaixem e passem a fazer sentido... O mínimo que se espera é educação.

Quase parte da música anterior, como uma “variação sobre o mesmo tema”, num questionamento mais filosófico: “O que faz as pessoas parecerem tão iguais?/ 
Porque razão essa igualdade se desfaz? / Qual é a razão desse disfarce no olhar?”.

Na época do lançamento do disco, reza a lenda que, o cantor carioca Lulu Santos chamou publicamente o Gessinger de “Entertainer” e “alemão nazista” por causa dessa letra, rs.
Depois dessa eu nem vou comentar mais nada sobre... Hahahaha.
Deixo que tirem suas próprias conclusões! rs.


Trottoir = palavra de origem francesa, que se refere “calçada”, ou, lugar onde as pessoas passeiam e se conhecem. A Violência travestida, camuflada na nossa cultura “ganha espaço”, “se faz natural”, nos envolve como num passeio à toa.
“Armas de brinquedo/ Medo de brincar”, “Todo suicida acredita na vida depois da morte”.
Toda a trama tem sido armada e por comodismo ou inércia, absorvemos suas “regras, mandamentos/ Julgamentos, tribunais/ na vitória do mais forte, na derrota dos iguais...”.
A música Tem começo o num rock bem animado, belo solo de guitarra, riffs cativantes, baixo poderoso como sempre, bateria forte... E alterna com uma forma como num sussuro, contando o triste fim de um personagem, vítima de uma história que ele não escreveu... Que a violência travestida regeu. 
"Não se renda às evidencias, não se prenda à primeira impressão...".
     
Um retrato abstrato, polêmico e solitário da visão noturna de PoA, sob a "(ilusão de) ótica" de alguém que a conhece como a si mesmo. 
"Eu trago comigo os estragos da noite [...] 
Uma certeza, só uma certeza: Da próxima vez, só wisky escocês!
[...] Eu trago comigo os estragos da noite,
Meu reino por um rosto pelo resto da noite..."
      
     10. Ilusão De Ótica
Muita informação! Muitas frases familiares de outras músicas, muita filosofia...
“Cada um tem seu ponto de vista/ Encare a ilusão da sua ótica!”
Um fato interessante sobre essa faixa é que, há uma parte incompreensível, em que quando se virava o vinil, ouvia-se:
“Porque é que cê ta ouvindo isso ao contrário? O que é que cê ta procurando, hein?”,
e depois:
”Mal entendido/ Bem intencionado
Mal informado/ bem aventurado
Jesus salva/ Salve as baleias/ Leia livros
Safe sex/ Relax
O papa é pop/ O país é pobre/ O PIB é pouco,
O meu pipi no seu popô,
O Seu popô no meu pipi,
Poesia é um porre,
O futebol brasileiro são varias camisetas com a mesma propaganda de refrigerantes,
A juventude brasileira... Sem bandeiras, sem fronteiras pra defender”.

*Não posso deixar de me lembrar e comentar que, certa vez, lá pela 5°, 6° série, eu estava em casa com uns amigos de classe pra fazer um trabalho da escola, e coloquei meu CD deles pra ouvir (meu favorito! Quando chegar o post dele eu revelo qual é...). E então um amigo me pediu pra tirar... Disse que ouvira boatos que a banda tinha "pacto com o diabo" (Assim como a Xuxa - HAHAAHHA) e que, se eu colocasse o disco pra rodar ao contrário, ouviria a voz do ~demônio~ cantando... É, EngHaw, vocês divertiram muito a minha infância!! rsrsrs.
   
     11. Perfeita Simetria
Musica “irmã” de “O papa é pop”, que fala de um amor mal sucedido, e mal superado.
Um notório desespero que oscila entre a mágoa e a vontade de recuperar o que foi perdido... A perfeita simetria entre duas pessoas, que deixou de existir, como em “Olhos iguais aos seus”.

O álbum na íntegra... Enjoy! *-*


Até a próxima, com Várias Variáveis!
o/


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Nirvana II – Nevermind (1991)

Confesso que demorei demais para escrever esse post.
Toda vez que tentava escreve-lo, achava a tarefa complexa demais e desistia. Ou então começava a ouvir as faixas do álbum e acabava me envolvendo tanto em ouvir e curtir, que esquecia completamente de escrever sobre.
 
Enfim, falar do Nevermind é muito difícil. Mas também é fácil.
Fácil porque eu o conheço bem, porque as músicas já foram amplamente comentadas e criticadas, de modo que há muito material por aí, pra pesquisar e complementar minhas ideias. Difícil porque é muita responsabilidade. É um disco antológico, histórico. Mudou os paradigmas da música até então. Acredito que ainda não tenha surgido nenhum álbum capaz de tal façanha, até agora.
É o segundo álbum do Nirvana e um sucesso de venda e de crítica. Está entre os 10 primeiros colocados na lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Hall os Fame.
E quem não conhece a famosa capa do bebê nadando atrás da nota de dólar? Além de conhecida, a tal capa foi eleita como a melhor capa de todos os tempos pela revista Rolling Stone. E também existem inúmeras releituras e paródias da imagem, o que apenas reforça seu sucesso.

Enfim, nesse álbum é que DaveGrohl entra definitivamente para a banda com a saída de Channing em 1990, como comentei no post anterior. Com o relativo sucesso do primeiro álbum, e com o chamado “som de Seattle” estourando na mídia, muitas gravadoras sondaram o grupo, mas no final, foi a Geffen records que conseguiu contratá-los, por intermédio de Kim Gordon, baixista do Sonic Youth.
Então, sem a produção de Jack Endino e da estética da Sub Pop, o Nirvana esteve mais livre para produzir um álbum mais elaborado melodicamente, um pouco mais pop, sem perder o peso. Não tinha como não dar certo.
Novamente, todas são composições de Cobain, música e letra. Apenas smells like teen spirit é creditada também como sendo da banda toda (Cobain/Grohl/Novoselic).

O produtor do Nevermind é Butch Vig, que também é baterista do Garbage (que também teve um disco comentado aqui), que também produziu Gish, do Smashing Pumpkins e é responsável por ter dobrado os vocais e guitarras de Kurt, nesse álbum, o que deu mais “corpo” ao som do nirvana, que no álbum anterior.


Faixa 1 - Smells Like Teen Spirit (5:01)
Há tanto para dizer sobre essa música que valeria um post só pra ela. Inicialmente rejeitada pelas rádios, chegou a ser eleita a melhor canção de todos os tempos.
Muitas vezes parodiada.
Inúmeras covers foram feitas, algumas muito boas, outras inusitadas.
A própria banda já não aguentava mais tocar a canção, realizando diversas piadas e auto-paródias.
Composição complexa? (segundo a Wikipédia: “escrita na tonalidade de F menor, com o riff da guitarra principal construído a partir de quatro power chords (F5-Bb5-Ab5-Db5) tocadas num ritmo de semicolcheia em síncope por Cobain”, etc. Entendeu?)
Hino de uma geração? Milimetricamente pensada para ser um sucesso midiático, ou expressão espontânea e instantânea de uma mentalidade genialmente criativa?
Ah, quer saber? Aumenta o som e quebra tudo!

Faixa 2 – In Bloom (4:14)
In Bloom tem um clipe sensacional, em que se vê a banda no melhor estilo “bons moços”, como num programa antigo de televisão, estilo Ed Sullivan, como foi sucesso com os Beatles. Ao mesmo tempo que se sobrepõem imagens da banda quebrando tudo
Melodia fácil, baixo bem marcado com as viradas do bateria de Dave Grohl muito bem colocadas, mostrando a que veio. Guitarra suja, inclusive no solo, mas sem ser muito pesada, agradando a ouvidos de todas as idades.
E a simples, mas incrível fórmula de começar já com o riff, diminuir a intensidade na entrada do vocal mais suave, um pré refrão que vai crescendo gerado uma tensão que explode no refrão onde todos os instrumentos crescem e o vocal é quase gritado, voltando a ficar suave logo em seguida, repetindo-se a sequencia.
Há quem diga que a letra é uma crítica às pessoas que apenas gostam de cantar suas cançõs favoritas, mas se importar com o significado delas.: “He's the one who likes / All the pretty songs, and he / Likes to sing along, and he / Likes to shoot his gun, but he / Don't know what it means”

Faixa 3 – Come As You Are (3:39)
Mesma fórmula, mas, com uma cara bem mais pop, um pouco mais limpa. Aquele comecinho bem suave que cativa qualquer ouvinte de cara.
Qualquer pessoa que toque guitarra sabe qual é o melhor exercício para checar a afinação do instrumento. Sim, o riff inicial de Come as you are é unanimidade!
Curiosidade: Kurt não era muito de fazer grandes solos de guitarra, mas este está entre seus solos mais longos.
E quanto a letra? Bem essa pra mim é difícil decifrar. às vezes acho que é uma provocação, à crítica, á mídia em geral. Como se estivesse chamando alguém para uma briga, de um modo bem irônico:
“Venha... Não perca tempo, rápido / A escolha é sua, não se atrase / Descanse um pouco, como um amigo, como uma velha memória...” - “Come ... Take your time, hurry up / The choice is yours, don't be late / Take a rest as a friend as an old memory...”E aí, no final aquela frasesinha marota, como quem diz, prometo que não vai doer:“And I swear that I don't have a gun” - “E eu juro que não tenho uma arma”

Faixa 4 – Breed (3:03)
Acho que por muito tempo foi minha preferida do álbum. “I don't care, I don't care, I don't care, I don't care, I don't care...” é um tapa na cara das tradições, das coisas que todo mundo diz que você tem que fazer, que esperam que você faça.
A ironia contida em trechos como “We could plant a house / We could build a tree”  (podemos plantas uma casa / podemos construir uma árvore) é sensacional.
Não, não precisamos de nada disso, mas talvez podemos ter, não me importo.
E o começo da música é demais. Um ruído, a guitarra distorcida, a sensacional virada de bateria que vai crescendo como num galope, o baixo marcando, até atingirem a harmonia principal e darem espaço para o vocal, que começa com a frase-chave. “I don’t care!”

Faixa 5 - Lithium – (4:17)
E essa letra? Bipolaridade total. Contradição pura. Há quem diga que Kurt sofria desse transtorno.
O estilo Nirvana de alternar momentos suaves, com momentos mais agressivos na mesma música, alternado inclusive o andamento, e explodindo no refrão se faz muito presente aqui, o que faz coro ao tema – bipolaridade.

Faixa 6 - Polly – (2:57)
Tema pesadíssimo, melodia melancólica, com um violãozinho, o baixo acompanhando, e só um prato bem colocado, suavemente e cada fim de verso e entrada de refrão. Há uma breve pausa lá pelo meio retomando imediatamente só com a linha do baixo, e Kurt cantando “Polly Said” meio que atravessando o tempo, propositalmente ou não, mas que dá uma dinâmica sensacional para a música. Não sei quem faz o backing vocal, se é o próprio Kurt, Novoselic ou Grohl, mas eu acho muito bom.
Está bem alinhada com a forma irônica de composição de Kurt e de sua ideia de que as pessoas não se importam com as letras ou as mensagens das canções. Certeza que muita gente achava (e ainda ache) que era uma música romântica estilo dor-de-cotovelo.

Faixa 7 - Territorial Pissings – (2:22)
Uma porrada! Pesada, rápida, guitarra bem suja, bateria sensacional. Letra minimalista e refrão gritado, berrado no final. O melhor estilo Pixies de fazer música, um pouco mais sujo. A letra é sensacional, fala de manipulação da mídia, guerra por territórios, teorias da conspiração, fala da não aceitação do “diferente” e, porque não, de machismo.
A linda ironia está na introdução, cantada por Novoselic, totalmente fora do tom: "Come on people now / Smile on your brother / Everybody get together / Try to love one another / Right now", referência à canção Get Together, que ficou conhecida com a banda The Youngbloods, e foi um hino hippie da época do woodstock (sabe, aquela coisa toda de paz e amor?). Pois é.

Faixa 8 – Drain You – (3:43)
Uma música deliciosa. A canção tem um refrão menos gritado, com backing vocals bem harmoniosos. Não tem grandes explosões, mas uma bateria muito marcada, que apresentando pausas bem colocadas, viradas incríveis e uma retomada sensacional após o 2º. refrão em que música “morre”. A bateria mantém uma marcação quase tribal, com grande destaque no bumbo, enquanto os outros instrumentos piram no melhor estilo “psicodélico” e um vocal com muito efeito repetindo a mesma palavra, a última do refrão (YOU), parecendo vir do além. E então todos seguem num crescendo, até uma retomada para reiniciar o verso.
A letra fala de paixão e de entrega total ao parceiro(a). Hetero ou homossexual, não faz diferença.

Faixa 9 – Lounge Act – (2:36)
O baixo inicia a canção de forma deliciosa. O título “Lounge act” (Sala de Estar) refere-se ao fato de que esta música pode ser tocada numa sala de estar. Tá mais pra aquele tipo de música barulhenta, mas que você pode ouvir numa festa de família sem chocar demais sua avó, e sem os tios reclamarem demais. O final dela é bem bacana.

Faixa 10 – Stay Away – (3:32)
Porrada do começo ao fim, é mais uma canção com letra crítica à sociedade e às imposições sociais a que nos submetemos, sem questionar: Macaco vê, macaco faz. (Monkey see, monkey do / I don't know why). Crítica à mídia, à indústria da moda.
Originalmente, o título era pra ser Pay To Play (Pague para tocar), um tapinha na cara da indústria músical.
Mas o que impressiona mesmo, é a frase “I'd rather be dead than cool / I don't know why”, ou seja, “Eu prefiro estar morto que ser legal (ou popular) / Eu não sei porque”. Profético.

Faixa 11 – On a Plain – (3:16)
Música bacaníssima. Nem tão pesada, mas guarda uma certa raiva. Love myself Better than you!
Os vocais do refrão são muito harmoniosos. O finalzinho com um fade para o vocal principal e ficando só o Ah-Ah de fundo é sensacional...

Faixa 12 – Something in the way – (3:55)
Trilha sonora para cortar os pulsos, a cara de toda uma geração, a dos anos 90, melancólica e desesperançosa. Fala da dura realidade de quem vive na rua, e não tem o que comer. Melodia linda, arranjo incrível. Uma linha de violoncelo surge no refrão, dando uma beleza triste e poética.

Faixa oculta: Endless, Nameless
Surge após cerca de 10 minutos do fim da última canção creditada, Something in the Way. Não fazia parte do álbum originalmente, somente algumas cópias do CD continham a canção como faixa oculta.
Pesadona, lembra o Nirvana de Bleach. Há boatos de que surgiu no estúdio mesmo, num esquema jam/piração.
E viva a distorção!

#FULL ALBUM 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Sleigh Bells - Bitter Rivals


Eis que descubro que o Sleigh Bells já tem um terceiro disco quando começo a resenhar o primeiro Treats (2010). Peguei o disco na locadora do Paulo Coelho e ainda não escutei. Farei uma resenha experimental, resenhar na primeira escutada. Espero que tenha um bom resultado. Lançado em outubro de 2013.

Com vocês: Bitter Rivals

Bitter Rivals: Começa numa pegada agressiva, uma ótima letra sobre os piores e melhores dos tempos e matar o xerife da cidade. repete o refrão "Be not afraid" com energia e guitarras distorcidas, para ir para um segundo refrão "You are my bitter rival/But I need you for survival" em um ritmo mais dance.

Sugarcane: Distorções, mas já eu ritmo mais dançante e bem menos abstrato, não tem a energia da música de abertura, mas soa bem. o vocal de Alexis está ótimo e combina bem na música. A letra conta sobre o queima de cana de açúcar, a grama verde e o furacão e ver as coisas como um rei e mesmo que ela tente, não consegue o resgate. É claro que é uma metáfora. o refrão é ótimo só dizendo: beware, beware...

Minnie: Esta música tem inspiração na Les Fleurs de Minnie Riperton, eu descobri isso enquanto procurava a letra de Minnie no google. Eu não conhecia Minnie Riperton, nem Les Fleurs, é uma linda música que deixo aqui. recomendo muito.




De volta a faixa Minnie: começa com a marcação de tempo, guitarra e entra o vocal de Alexis de forma bem agressiva. O ritmo é bem para o rock, mas cheio de variações.

Sing Like a Wire: Depois de uma faixa pesada, vem algo bem pop, vocal sussurrado no melhor estilo Prince ou Michael Jackson, uma batida acompanhando bem dançante, então explode em um refrão cheio de som, com gritos e instrumentos, em uma batida bem dance. e assim continua alternado.

Young Legends: Mais uma faixa pop dançante, com autotune e tudo mais, bastante dançante, dá pra enfiar em um cd da Shakira e ninguém notaria. mas é claro, é Sleigh Bells, então a letra dançante é sobre lendas morrerem jovens o tempo todo, mas não se preocupe com isso, só feche seus olhos. Bem diferente de todas as outras faixas. E segundo uma nota que li, esta é a música preferida de Derek Miller deste álbum.

Tiger Kit: E voltamos para a guitarra distorcida, vocal e barulhos de animais de fazenda (WTF??!) Não é tão distorcida ou pesada como as músicas dos outros discos ou a de abertura desse, mas já volta ao Sleigh Bells que eu me acostumei a escutar. Um tigre não pode ser domado, então faça como uma banana e divida-se!

You Don´t Get Me Twice:  Começa com uma boa mistura de guitarra e batida pop, vai para um voz violão e volta para pop do começo, e nem saímos da primeira estrofe ainda. É um c música irregular, o que segura as partes é a batida. são muitos recortes colados, as vezes sobre postos, outras vezes justapostos. A música é sobre não ter uma segunda chance, olhos sedutores e um coração no gelo.

To Hell With You: Parece R&B, começou assim pelo menos, mas descambou para uma balada pop, com alguma distorção nos instrumentos. Uma canção de amor, ela quase morre em julho, mas vai para o inferno com ele, ali está a prova.

24: Mais uma faixa bem dance, mesmo efeitos e instrumentos, bem ritmados e de maneira leve. a música é sobre ver, aprender, mentiras e algo do tipo. Acaba com o refrão "And I Could make him see".

Love Sick: Se tirar as guitarras distorcidas poderia ser um dance clássico, bem pop e dançante. Tem um back vocal, mas não parece gravado pela Alexis. Tem pausas com solo de guitarra, que lembram, vez ou outra que esse não é um dance qualquer. E então do nada vai pra uma voz sussurrada e uma percussão leve com uma guitarra baixa ao fundo. e acaba.

É um bom álbum, algum tipo de evolução, está mais pop, bem mais variado, menos distorcido e alternativo. Os dois primeiros me agradaram mais que este, mas ele merece ser escutado mais vezes.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Raul Seixas 5 - Gita (1974)

Oi, eu sou o Salinas! Gita é o maior sucesso da carreira de Raul: com seu primeiro disco de ouro, a partir daqui ele fica conhecido em todo o país. Mas a fama traz seu preço: a divulgação da Sociedade Alternativa, que já rolava desde o ano anterior, faz com que Raul fosse preso, torturado e exilado nos Estados Unidos. Mas o disco já estava gravado. Raul, putaço com a situação, usa roupa de guerrilheiro e guitarra vermelha na capa, só de pirraça. ("vai me prender de novo agora, vai?!?") O disco faz tanto sucesso que eles resolvem liberar o Raulzito, já que seu sumiço daria na vista.

A Sociedade Alternativa era uma organização de verdade, com sede alugada, papel timbrado, relatórios contábeis. Ela se baseava no Livro da Lei e na lei de Thelema, ambos de Aleister Crowley (sim, o mesmo que foi homenageado por Ozzy Osbourne, mais ou menos nessa época). A Lei se resume basicamente na famosa frase: "Faça o que tu queres, pois é tudo da lei". Eles estavam tentando conseguir dinheiro pra fundar a Cidade das Estrelas em algum lugar no interior, e pra isso tinham que ter sócios, fontes de financiamento etc. Seria uma espécie de clube, onde vc pagaria pra participar e viver (ou não) na tal Cidade, da forma como quisesse, o que significa poder plantar e colher, seja comida, arte ou ideias, sem importar se você era artista ou careta, intelectual ou dona de casa.

Mas claro, os militares não gostaram nada disso. Chamaram Raul e Paulo Coelho pra depor no DOPS e eles, inocentes na época, pensavam estar apenas espalhando as boas novas. Mal comparando, seria algo mais próximo de uma Cultura Racional (sim, aquele pessoal que fica na Barão de Itapetininga - SP). Mas como hoje sabemos, os militares viam engajamento político em qualquer grupo, com interesse em derrubar governos.

O disco no geral é bastante engajado, continuando as críticas à ditadura, mas com várias canções mais filosóficas e existenciais, algumas girando em torno da Sociedade Alternativa. Há um "esforço de propaganda" em relação à Sociedade, para apresentar o conceito e convidar o ouvinte a participar dela. É a síntese do pensamento engajado dos 70's, não no sentido político, mas de se levantar e pôr a mão na massa.

"Super Heróis" (Raul / Paulo)

Raul começa num rock lentinho, contando como, em companhia de seu amigo Paulo Coelho, encontra pela rua várias personalidades conhecidas, ou "super-heróis", como Silvio Santos, rei Faiçal, Mequinho, Pelé e Emerson Fittipaldi. (curiosidade: 40 anos depois do disco, todos eles ainda vivem, com exceção do rei Faiçal, que já era falecido na época). Mas aqui a crítica velada é sobre o uso de figuras públicas e celebridades, inclusive do esporte, para ocupar a população: "Como é que eu posso ler se eu não consigo concentrar minha atenção / Se o que me preocupa no banheiro, ou no trabalho é a seleção (Vê se tem Kung Fu aí em outra estação)". A imagem do Fittipaldi atropelando Mequinho (o maior enxadrista brasileiro da história) também tem essa leitura, afinal é um ícone do esporte sobrepujando um ícone do raciocínio.

"Medo da Chuva" (Raul / Paulo)

Numa seresta sobre relacionamentos, Raul fala sobre a liberdade e sobre as oportunidades amorosas perdidas por um casamento antes da hora. O "medo da chuva" na verdade é o medo do novo, e ao perdê-lo Raul se abre à possibilidade de uma vida a dois muito mais feliz, sem as cobranças do casamento clássico-cristão-medieval-ocidental. Mas existe outra leitura referente, claro, à ditadura: "o que o padre falou" seriam os militares, "ser escravo" seria seguir as ordens do governo e as "pedras" seriam as pessoas que apenas vivem sem se questionar, "chorando sozinhas sem sair do lugar". Tem quem diga ainda que essa música seria uma indireta para sua mulher na época, Edith Wisner.

"As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor" (Raul)

Raul fala neste repente sobre essas conversas insossas de boteco, que não chegam a lugar nenhum, e que no fundo são só máscaras de quem quer derramar suas frustrações. Uma análise mais detalhada pode ser encontrada aqui. Dois pontos importantes pra entender a mensagem, é que "sist" no caso é o sistema, o capitalismo, o governo, o establishment, ou o nome que você quiser dar. E "transar", na época de Raul, não queria dizer sexo, mas tão-simplesmente trocar: experiências, ideias... (de certa forma não mudou tanto assim).

"Água Viva" (Raul / Paulo)

Os mais religiosos imediatamente identificam nessa balada uma ode a Deus, a fonte de todo amor. Mas é difícil imaginar Raul fazendo esse tipo de coisa. Ele se refere, isso sim, ao próprio espírito do ser humano. O coração e a mente, onde "está escondido o segredo desta vida", apesar das "correntes caudalosas". A fonte é inesgotável, "ainda que seja de noite", mas por mais que haja progresso, sempre temos muito que aprender, pois "ainda é de noite, no dia claro dessa noite"!

"Moleque Maravilhoso" (Raul / Paulo)

Nesse inesperado jazz, uma declaração de arrogância do Maluco Beleza? Ou uma crítica a quem faz isso, cada vez mais comum hoje e com certeza já naquela época? Ou ainda uma referência a não ter medo de se dizer ou ser aquilo que se quer, ele se vendo como um "bastardo na vizinhança", ou seja, um corajoso entre os medrosos.

"Sessão das 10" (Raul)

Aqui Raul regrava um de seus clássicos da Sociedade da Grã-Ordem Kavernista, não mais como seresta e sim como bolero. A letra é a mesma, falando sobre os relacionamentos baseados apenas no corpo.

"Sociedade Alternativa" (Raul / Paulo)

A paulada-mor do Raulzito, sempre presente onde quer que se fale dele. Raul resolve colocar em música os preceitos da Sociedade Alternativa, que já era divulgada há tempos: "Faz o que tu queres / Pois é tudo da Lei".

"O Trem das 7" (Raul)

Numa faixa mais triunfal e esperançosa, Raul fala sobre a passagem da humanidade para uma nova era, um novo aeon. Para ele a Sociedade Alternativa era um degrau para chegar nesse estágio. Outra interpretação, mais religiosa, liga essa música simplesmente ao Apocalipse cristão.

"S.O.S." (Raul)

Nesta baladinha, Raul traz conceitos do espiritismo, segundo o qual existem civilizações superiores, onde apenas espíritos mais evoluídos têm acesso. Porém, nesta nossa civilização existem apenas pessoas muito apegadas a valores materiais, e ele como "vetor" (ou transmissor, arauto das boas novas, subentendendo-se originário de uma dessas civilizações superiores), tenta alterar o rumo das coisas, mas se vê impotente para isso. Então pede ao "disco voador" para levá-lo embora para um lugar melhor.

"Prelúdio" (Raul)

Faixa curtinha, com letra mais ainda. Onírica, delicada, sensível e absolutamente linda. A frase é atribuída a John Lennon, e carregada do significado de toda a geração hippie, do sonho de viver em comunidades tranquilas, onde todos se ajudam mutuamente. O "sonho" em questão, num sentido amplo, é o futuro da humanidade. Mas ao mesmo tempo, é um convite para a Sociedade Alternativa, afinal com a participação de todos ele viraria "realidade".

"Loteria da Babilônia" (Raul / Paulo)

A Babilônia citada não é a civilização antiga que vimos na escola, mas sim a nossa civilização capitalista-judaico-cristã-ocidental, no mesmo sentido dado pelo movimento Rastafari (em oposição ao Sião, a terra prometida, identificada com a África). Nessa Babilônia, vivemos uma loteria em busca da realização profissional, pessoal, financeira, amorosa etc. Mais uma vez Raul fala sobre a pequenez de reduzir a vida ao eterno acúmulo, seja material ou intelectual : "Você tem as respostas das perguntas / Resolveu as equações que não sabia / E já não tem mais nada / O que fazer a não ser / Verdades e verdades / Mais verdades e verdades / Para me dizer / A declarar!"

"Gita" (Raul / Paulo)

Numa entrevista, perguntaram a Raul porque esta música fez tanto sucesso, e ele respondeu: "Porque fala de Deus em uma linguagem que todo mundo entende". Ele coloca um trecho do Bhagavad-Gita numa forma simples e clara, explicando a onipresença de Deus, desde "a luz das estrelas" até coisas pequenas e mesmo negativas, como "as juras de maldição".

Mais infos sobre o disco, aqui. E quem não encontrar nas boas casas do ramo pode quebrar o galho no Youtube:



E é isso! No próximo post vamos continuar a sägä com "Novo Aeon", que não repetiu o sucesso de "Gita". Até lá!


EngHaw - 4° Alívio Imediato

Olá, pessoas! :)

Alívio Imediato é o primeiro disco ao vivo da banda, lançado em 1989, no Canecão, Rio de Janeiro. Nessa fase a banda já havia se mudado para o Estado. 
Com relativamente curto tempo de vida/estrada, os EngHaw já experimentavam o sucesso profissional, com público record em shows por todo o país, disco de ouro, a "benção" da crítica, e turnê soviética (feito inédito para uma banda brasileira). 
Ta bom, ou quer mais? rs.



O quarto disco chega anunciando o início de uma pegada mais eletrônica, com "Nau à Deriva", e a faixa-título "Alívio imediato", que, enquanto novidade, são gravadas em estúdio e as demais gravadas durante o show, numa playlist dedicada a uma retrospectiva da trajetória da banda (turnês: Toda Forma de Tour - 86/87, Infinita Tour - 87/88, Variações Sobre a Mesma Tour - 88/89, Alívio e Mídia Tour - 89/90).
Reza a lenda que, provisoriamente, o nome escolhido para o disco era "Tudo Que Uma Banda Pode Oferecer", bem a cara deles, rs. 
Outro fato interessante (e bem bacana!) é que a capa do disco traz a faixa de um fã clube carioca (hoje instinto) "Além dos Outdoors".



1. Nau À Deriva
Faixa inédita, que foi tocada no show de lançamento, mas no disco está na versão de estúdio. Com efeitos mais eletrônicos, mais distorção, teclado, a banda já mostra uma nova tendência para as músicas do próximo disco.
Um dos melhores retratos da solidão que a banda tem. "Talvez um parto/Talvez aborto/Destroços da nave mãe... Longe demais/ do cais do porto/ Perto do caos", é quase palpável a solidão e deslocamento retratadas na música, não que não sejam sentimentos familiares às composições da banda, mas essa é uma das que passa essa ideia com mais intensidade. 
"O meu coração é um porta-aviões/ Perdido no mar, esperando alguém pousar
O meu coração é um porto sem endereço certo/ É um deserto em pleno mar".

2. Alívio Imediato
Também, como a outra inédita "Nau À Deriva", a faixa título "Alívio Imediato" também vem com uma cara mais eletrônica, mais teclado, e embora comece mais mansa, acaba num belo solo de guitarra.
Uma música libertadora, que passa uma mensagem de consolo, aparentemente de um coração partido por alguém que partiu.
"Há um muro de concreto entre nossos lábios/Há um muro de Berlim dentro de mim
Tudo de divide, todos se separam/Duas Alemanhas, duas Coreias/
Tudo de divide, todos se separam".

3. A Revolta dos Dândis I
Diretamente do segundo disco, que a traz como faixa-título, o Gessinger mostra lindamente seu dom de reinventar as músicas a cada disco, tocando o finalzinho numa versão blues super envolvente.

4. A Revolta dos Dândis II
Solo eletrônico, a música do 2°disco ganham a cara do novo, novos efeitos, e a fusão irresistível no finalzinho com a "...Dândis I".

5. Infinita Highway
Ainda do 2° disco, a infinita filosofia de vida chega numa versão mais agitada que no lançamento, a minha favorita, à proposito. *-*

6. A Verdade a Ver Navios
Recente, do ultimo disco lançado, versão curtinha, quase à capela, não fosse um tecladinho de fundo, que vai crescendo num baixo e uma bateria bem pontual...
Reza a lenda que no disco, e primeiras edições em CD, a musica era grafada como "A Verdade a Verd Navios". Algum significado especial, ou mero erro de digitação? 
Never gonna know... rs.

7. Toda Forma de Poder
Direto da primeira faixa, do primeiro disco, a energética música revolucionária que é apaixonadamente acompanhada pela multidão, que se ouve claramente no refrão, e dá o suporte dos "wooowooow's" e "yeaaah-yeaaaah's", palmas e um arranjinho eletrônico novo.

8. Terra de Gigantes
Com a serenidade que jamais perderia, entre um belo arranjo de guitarra, e o coro apaixonado dos fãs, a juventude nessa banda em uma propaganda de refrigerantes, o single do 2° disco volta com o costume Gessingeriano de brincar com as letras a bel prazer. 

9. Somos Quem Podemos Ser
Do disco anterior, num clima igualmente manso, sem deixar a platéia desanimar.
Que outra banda de rock consegue isso? rs.

10. Ouça O Que Eu Digo, Não Ouça Ninguém
Faixa título do 3° disco, com arranjos novos de guitarra e muito coro acompanhando!

11. Longe Demais Das Capitais
Faixa-título do 1° disco, segue a mesma vibe da versão de estúdio, começa pianinho e depois alterna com uma pegada mais rápida, e finalzinho com solo 

12. Tribos e Tribunais
O "bis" do show, do 3° disco, o desfecho merecido! :)


Oficialmente, esse disco não foi filmado, mas o já então mencionado fã clube carioca "Além dos Outdoors", não deixou passar... :)




Em breve... "O Papa É Pop!" 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Sleigh Bells - Reign Of Terror.


E em 2012 veio o segundo disco Reign Of Terror. Já mais famosos, mas ainda não tinham estourado. Um ótimo disco na pegada do primeiro.



True Shred Guitar: O disco começa com uma pancada distorcido ao vivo. Mais distorção, vocal forte, e mais um pouco de distorção, bem parecido com as músicas do primeiro disco. A guitarra e a voz dividindo o primeiro plano.

Born To Lose: música de ritmo pesado, bem distorcida, com um vocal sereno de Alexis cantando sobre nascer para perder e suicídio. Um repique de bateria deslocado, quase que colocado ao acaso, e um final sinistro em um solo de guitarra. Alexis faz back vocal com ela mesmo.

Crush: A guitarra, a batida e o vocal estão lá, mas há elementos novos nessa música, ruídos de multidão, outros ruídos difíceis de identificar. Muita sobreposição. Soa muito bem para mim, um monte de recortes bem encaixados.

End Of The Line: Uma faixa mais leve, menos abstrata, com uma guitarra coerente, vocal leve, efeitos eletrônicos e bateria. Uma pausa na pancadaria do disco. Excelente música introspectiva, a letra também é mais coerente e menos sopa de versos que as outras. É a história de uma despedida.

Leader of The Pack: No meio das guitarras e batida um vocal melancólico canta sobre alguém lembrar de um tempo que podia acreditar em mentiras, e acaba com a repetição de que ele não volta mais.  mais triste que o restante do disco.

Comeback Kid: Com instrumentos que poderiam estar em um grupo de heavy metal , mas em outra ordem, a voz de Alexis se destaca falando que é difícil, mas que o garoto pode vencer e voltar algum dia. As letras desses álbum são mais trabalhadas que do álbum anterior.


Demons: Começa com uma guitarra que poderia estar em Qualquer banda de Heavy Metal, vem a bateria que poderia estar junto, então o vocal de Alexis entra com a mesma energia. Essa é uma faixa, que com poucas mudanças de arranjo é um heavy metal bem clássico, até a letra sobre demônios, purificação e fogo encaixa perfeitamente. Para uma banda lo-fi e noise pop é bem interessante uma faixa dessas que enfraquece barreiras entre o metal e o pop dançante. (quantos metaleiros gostariam de arrancar minha cabeça no momento?)

Road to Hell:  essa já lembra algum tipo de glam, em partes, depois descamba para um lo-fi com as guitarras distorcidas de Miller. Acho incrível essa destruição de gêneros que Miller faz. Numa voz adocicada Alexis canta sobre o caminho para o inferno (refrão da música).

You Lost Me: Uma música lenta e cheia de distorções. Alexis canta em um tom sereno sobre estar pronta para morrer e como nós poderemos cantar da cova. Acho incrível isso no Sleigh Bells, essa diferença quase bipolar entre a agitação ou serenidade da música com as letras lúgubres.

Never Say Die: Mais um começo que poderia ser de uma banda de Heavy Metal, mas a música segue por outro caminho, com uma guitarra base bem marcada e uma batida mais homogênea, Alexis canta de modo lírico, quase como contando uma história, outros elementos completam uma música bastante coesa e sem grandes distorções ou sobreposições fora de ritmo.

D.O.A.: A ultima música do disco segue por um lo-fi meio triste, no geral este disco é mais sombrio que o anterior. Uma linda música cantada sem interrupções acompanhada pelas distorções e instrumentos de sempre sem grandes variações.

Reign Of Terror é um excelente disco, não é surpreendente como Treats, mas era de se esperar, não dá pra revolucionar duas vezes a mesma coisa. Mesma recomendação do anterior: Escute alto em um som com bons graves.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Raul Seixas 4 - Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock (1973)

Oi, eu sou o Salinas! Esse disco pode até ser considerado um disco "maldito" de Raul. Ele queria fazer uma homenagem aos clássicos que o inspiraram, desde os tempos de criança em Salvador, quando começou a ter contato com o rock, coisa rara naquela época. Mas na época a gravadora achou "nada a ver" um cara que começava a fazer sucesso fazer um disco de covers.

Quando Raul falava de rock, era Elvis Presley no começo da carreira, Little Richard, Paul Anka, The Platters. Ele pegou o começo da coisa, a década de 50. Como ele mesmo disse em entrevistas, o Rock havia morrido em 1959 quando Elvis entrou pro exército.

A gravadora topou lançar o disco em 1973, mas com uma condição: o nome de Raul Seixas não apareceria na capa (aqui relançada pelo Raul Rock Club). Então foi criada uma banda fictícia, uma tal de Rock Generation, que levou os créditos. Raul apareceu apenas como produtor. E pra não "queimar" o próprio artista, a gravadora não fez divulgação. O disco ficou esquecido nas lojas. Em 1975, depois do sucesso de "Gita", eles perceberam a burrada e relançaram o disco como "20 Anos de Rock", agora com o nome do Raul. Quiseram dar uma garibada, mudando a capa, ordem de faixas e incluindo assobios e aplausos pra parecer que era ao vivo. Raul, claro, não gostou muito. Em 1985 outro relançamento, atualizando o título pra "30 anos de Rock". (haja picaretagem... mudar um dígito na capa e fazer a galera comprar de novo o disco). Por fim, em 2001 o disco foi relançado uma última vez, com a imagem acima, e do jeito que Raul queria, na ordem certa e sem assobios.

As faixas não correspondem exatamente a cada música. Raul deu uma encurtada em cada uma, pra poder caber 24 músicas em 1 só disco, e cada faixa é um "medley" de duas ou três músicas (detesto o termo ~pot-pourri~, kkk). Então vou comentar por "música" em vez de por "faixa".

"Abertura"

A primeira faixa é uma vinheta instrumental, bem TV, tipo aqueles shows dos anos 60. Naipe de metal comendo solto, com brecada sensacional e solinho de batera no final.

"Rock Around the Clock" (Jimmy de Knight / Max C. Freedman)

Logo de cara a paulada-mor do rock, aqui gravada pelo Bill Haley. O ponteiro das horas deu uma volta inteira no relógio e ainda estamos dançando!

"Blue Suede Shoes" (Carl Perkins)

Outro clássico do 1-4-5, gravada pelo Rei do Rock. Cuidado pra não pisar no meu sapato azul de camurça! Faça o que quiser, me dê um tapa na cara, roube meu carro, beba minha bebida... mas não me pise no sapato!

"Tutti Frutti" (Little Richard / Joe Lubin / Dorothy La Bostrie)

Nesses vídeos a gente vê como a coisa era muito diferente naquela época... a banda anunciada por um ~gerente de banco~, toda comportadinha em seus ternos brancos, dançandinho ao ritmo, mas nada que se comparasse ao pornográfico "Pelvis", que gera piadinhas até hoje. E claro, o gordinho mandando ver na pista!

"Long Tall Sally" (Little Richard / Joe Lubin / Dorothy La Bostrie)

Essa fecha o primeiro medley, que já deixa a galera sem fòlego! Com a história do tio John, que resolveu dar uma escapada com a tal ~Sally compridona~ (bons tempos de inocência... era apenas uma menina alta). Quase que a tia Mary pegou, mas na hora H eles se esconderam agachadinhos no beco...

"Rua Augusta" (Hervé Cordovil)

"Descendo a Rua Augusta a 120 por hora"... sim, é a Augusta Baixa, em SP, que já na época de Raul fervilhava, de intelectuais a zés-ninguém. Talvez mais que hoje... e lá Raul e sua gangue aprontavam altas confusões com seus carrões, com três carburadores envenenados, sem breque, sem luz e sem buzina.

"O Bom" (Carlos Imperial)

Aqui, um clássico do "rock ostentação". Nada a ver (ou será que tem?) com o polêmico estilo que hoje em dia domina as paradas de sucesso da quebrada, aqui é ostentação no sentido puro e simples. Não tem pra ninguém!

"Poor Little Fool" (Sharon Sheeley)

Será o mesmo cara da música anterior? Agora uma balada mais lenta, pra descansar depois de tanta agitação. "Pobre bobinho" conta como foi enganado e jogado às traças por uma espertinha à qual ele entregou seu coração.

"Bernadine" (Johnny Mercer)

Um teclado maroto pra contar sobre a Bernardine. Ela parece igual às outras em cada uma de suas partes, mas no "conjunto da obra" é toda especial.

"Estúpido Cupido" (Neil Sedaka / Howard Greenfield - Versão: Celly Campelo)

Vamos esquentar as coisas de novo! E pra começar, um esporro nesse tal Cupido que andou aprontando com o coração da galere. O baixo e guitarra deram uma "atualizada" e essa música ficou bem mais 70's.

"Banho de Lua" (Bruno de Filippi / Franco Migliaci)

Aqui a guitarra solando praticamente a música inteira, lá no fundo, enquanto Raul conta sobre a experiência de tomar um banho de lua... homenagem pra Celly Campelo. O curioso é que todo mundo (eu) só conhecia a parte do banho de lua, então ninguém (muito menos eu) entendia o lance de "ficar branco como a neve": é que na verdade, antes, Celly tomou um banho de sol, "se queimou e escureceu". O banho de lua, no caso, teria o efeito inverso...

"Lacinhos Cor-de-rosa" (Mickie Grant)

Mas até que seria engraçado o Raul com um sapatinho de lacinho cor-de-rosa, hehehe... outra homenagem pra Celly, que também vai pro Mickie Grant (aqui gravado pela Dodie Stevens).

"The Great Pretender" (Buck Ram)

Quem o vê sorrindo, pensa que está alegre... não pera, essa é outra. Mas que no fundo tem a mesma mensagem: Raul, o grande fingido, está sozinho mas ninguém percebe... ele finge que tudo vai bem. A versão original foi gravada pelos Platters, mas não posso deixar de citar a versão do Freddie Mercury. Essa eu nem ouço mais até o final, porque toda vez eu choro. :'-)

"Diana" (Paul Anka)

Medley pra Reginaldo Rossi nenhum botar defeito. A entrada já tem aquele "sax brega" (mas que na época não era brega hehe). Raul está ficando com uma mina bem mais velha, mas não se importa com o que o pessoal diz...

"Little Darlin'" (Maurice Williams)

Aqui Raul está novamente apaixonado... o arranjo de vozes no fundo ficou bacana.

"Oh! Carol" (Neil Sedaka)

Ô Carol, dá uma chance pro Raul, PÔ... o cara tá apaixonado e vc só pisa nele, tsc tsc...

"Runaway" (Del Shannon / Max Crook)

Agora Raul anda sozinho pela chuva, e se pergunta o que teria dado errado com o seu amor.

"Marcianita" (José I. Marcone / Galvarino V. Alderete)

Aqui volta a guitarra 70's de novo, solando alucinada lá atrás... Raul tentou atacar com um xaveco mais nerd: os cientistas asseguram que em 10 anos ele conseguirá o coração de uma marciana!! Sim, acreditavam eles que não demoraria muito pro ser humano pisar em Marte...

"É Proibido Fumar" (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)

O maior clássico entre os bombeiros (só que não). Raul terrorista não está nem aí, vai tacar fogo em tudo dando um beijo na garota!!

"Pega Ladrão" (Getúlio F. Cortês)

Os rocks antigos tinham umas historinhas singelas. Aqui Raul estava com seu "broto" no portão, quando passa um ladrão correndo. Teria roubado um coração, e ele achava ser isso uma metáfora. Mas não, era uma jóia em formato de coração... era um ladrão mesmo!!

"Jambalaya" (Hank Williams)

Entrada de baixo bacanosa, misturando no começo com samples da faixa "Todo Mundo Está Feliz" do (já comentado) "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez" .

"Shake, Rattle and Roll" (Charles E. Calhoun)

Outro clássico do rock. Aqui a garota está usando um vestido meio transparente, e o cara se sente "um gato caolho tentando espiar pra dentro de uma loja de peixes".

"Bop-a-Lena" (Tillis / Pierce)

Olha aí a origem da Babilina. Sim, aquela, que Raul queria tirar do bordel... Mas no original não tinha nada disso, ele só falava sobre a hora que a turma ia pras baladas tungz tungz, na época, e a tal Bop-a-Lena que parecia uma rosa, era a favorita dele.

"Only You" (Ande Rand, Buck Ram)

O clássico número 1 dos bailinhos românticos! Quem nunca dançou esta com rosto coladinho, olhando no olho... tá ok, hoje ninguém faz isso. Uma das poucas músicas que ganhou versão inteira, numa faixa só pra ela. Agora sim Raul tá embasbacadamente apaixonado: "só você" isso, "só você" aquilo, não existe mais mulher pra esse cara...

"Vem Quente Que Eu Estou Fervendo" (Carlos Imperial, Eduardo Araújo)

E pra fechar a casa, outro clássico do rock nacional! O grande blefe: no fundo Raul tá mó triste e louco pra fazer as pazes do ~melhor~ jeito, mas não dá o braço a torcer.

Mais infos sobre o disco, aqui. E quem não encontrar o disco nas boas casas do ramo pode quebrar o galho no Youtube.

E é isso! No próximo post vamos falar do maior sucesso de Raul, "Gita". Até lá!