domingo, 2 de fevereiro de 2014

Charly García 3: "Piano Bar", 1984


E aqui estamos com o terceiro álbum solo de estúdio de Charly García, intitulado "Piano Bar", lançado em 1984. Primeiro disco do artista lançado após a redemocratização da Argentina.


Assim como no disco anterior, Piano Bar se distancia do estilo hipponga de suas bandas do passado e segue flertando com o New Wave e o Pop Rock. Formam a banda, além de Charly nos teclados, guitarras, efeitos e vocal, Fito Páez nos teclados e vocais, Pablo Guyot nas guitarras, Alfredo Toth no baixo e vocais, Willy Iturri na bateria, e mais as participações especiais de Daniel Melingo (sax) e Fabiana Cantilo (vocais) na faixa "Rap del Exílio".


O disco gravado na cidade de Buenos Aires e mixado nos estúdios Electric Lady em Nova Iorque e foi considerado pela revista Rolling Stone como o 12º melhor disco do rock argentino.

Aqui encontramos Charly em sua melhor forma, resultando em um disco com melodias que grudam e letras criticando a pasmaceira da sociedade daquela época. Canções com uma pegada pop rock, mas com uma sutileza e um lirismo incríveis.

São 10 faixas, comentadas a seguir:

1. Demoliendo hoteles

Pegada New Wave, bateria eletrônica e uma letra falando sobre rebeldia contra as estruturas. Aqui um ex-hippie "paz e amor" se mostra intranquilo, não dissimulando a raiva contida após anos de sangrenta ditadura militar imposta em seu país. 

”Yo fui educado con odio, y odiaba a la humanidad, un día me fui con los hippies y tuve un amor y también muchos más, ahora no estoy más tranquilo, y por qué tendría que estar, todos crecimos sin entender y todavía me siento un anormal”.

2. Promesas sobre el bidet

Promesas sobre el bidet seria uma espécie de diálogo de Charly consigo mesmo, em uma tentativa de encontrar-se ("yo te prometo te escribiré, si es que para de correr"). Uma relação aparentemente bipolar e tempestuosa descrita com lirismo e cheia de metáforas.

"Calambres en el alma, cada cual tiene un trip en el bocho, difícil que lleguemos a ponernos de acuerdo"

3. Raros peinados nuevos

Entendo que nesta faixa, Charly faz uma referência à nova estética e música dos anos 80. É basicamente uma canção sobre mudanças e adaptações ao novo.

4. Piano bar

A letra fala basicamente sobre o ambiente de um Piano Bar. Destaque para o teclado que dá um tom obscuro a esta faixa.


5. No te animás a despegar

Um tema escuro e mortal construído tanto pelos teclados quanto pela letra:

"Por qué te quedás en Vía Muerta? 
No se por qué vas hacia ese lugar 

donde todos han descarrilado" 

6. No se va a llamar mi amor

O legal do nome desta faixa é que a canção se chamaria "Mi amor", mas como na época não poderia ter músicas com o mesmo título, Charly mudou para "No se va a llamar Mi Amor" ou em português "Não vai se chamar Mi Amor".

7. Tuve tu amor

Mais uma canção que faz referência ao período da ditadura, retratando o momento em que o protagonista perde seu amor, devido ao exílio. Melodia simples baseada em teclados e samplers e uma letra bem amarrada ditando o ritmo desta faixa.

8. Rap del exilio

Assim como a faixa anterior, o tema do exílio retorna em "Rap del exilio", mas com uma pegada mais dançante. "Vamo' a baila'"

9. Cerca de la revolución

Cerca de la revolución possui um dos riffs mais famosos do rock argentino e também é uma das músicas mais influentes do gênero. Em uma Argentina com um incipiente processo de redemocratização Charly demonstra uma cética incerteza em relação ao futuro e ao mesmo tempo uma sóbria esperança de que mesmo sabendo que o futuro não seja apenas uma questão de escolhas é preciso ser otimista.

"No es sólo una cuestión de elecciones.

No elegí este mundo, pero aprendí a querer."

10. Total interferencia

A melodia de Total interferencia é uma das mais bonitas do disco. A letra é repleta de nostalgia e parece ser autobiográfica

"Todo lo que ves o es 
como la imaginación 

se junta con total interferencia"


Bom é isso, espero que curtam o álbum. Quem quiser ouví-lo no íntegra segue o link abaixo. No próximo post voltarei com o disco "Parte de la religión" de 1987.




Um comentário:

  1. Muito bacana este álbum. É possível notar a maturidade do artista e as mudanças e novas influências que foram surgindo ao longo dos álbuns anteriores, que aqui se consolidam.
    E ainda tem o Fito Páez no teclado! =)

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