segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Charly García 1: "Yendo de la cama al living", 1982

Dando início à discografia de estúdio de Charly García começarei pelo álbum "Yendo de la cama al living", para melhor organizar decidi focar apenas nos discos de estúdio. Por isso os discos ao vivo, colaborativos, acústicos, recompilatórios e os das bandas antes da carreira solo não entrarão nesta lista. 




O álbum de debut de Charly conta com participações grandes figuras do rock argentino como seu velho parceiros de Sui Generis, Nito Mestre, e de Serú Girán, Pedro Aznar além de León Gieco e Luis Alberto Spinetta

1. Yendo de la cama al living

Esta é uma das melhores músicas do disco na minha opinião, junto com "Yo no quiero volverme tan loco" e "Inconsciente colectivo". O que chama atenção é a batida constante da TR-808 Rhythm Composer e a linha de baixo. Mas o que confere realmente uma cara de anos 80 à faixa e ao álbum são os teclados. A letra remete a um cenário obscuro de alguém enfurnado em casa, andando entre o quarto e a sala pois os militares tomaram o poder e nas ruas há repressão, insegurança, pessoas desaparecidas. 

2. Superhéroes

Superhéroes lembra um pouco da época de Sui Generis, principalmente pelo dueto vocal feito com Nito Mestre. A letra começa com um jogo de contradições como "Estas buscando direcciones en libros para cocinar, estas mezclando el dulce con la sal. Vas procurando informaciones en unas cajas de metal...". Esta caixa de metal seria a televisão e aí a letra estaria criticando um sistema de entretenimento totalmente baseado na televisão e nas celebridades criado para fazer com que todos se esqueçam dos problemas e vivam num mundo de fantasia. Criticando com esta canção a ideia de que os problemas se solucionam buscando agentes externos e tomando como exemplo os super-heróis, aqueles seres que foram criados para solucionar problemas que não somos capazes de resolver.

3. No bombardeen Buenos Aires

A terceira faixa do álbum tem uma pegada mais funk, com base de piano e a letra fala sobre o medo que se vivia na Argentina durante a guerra das Malvinas.

4. Vos también estabas verde

Melancolia é a palavra que melhor define esta música. Um rock progressivo de primeira e uma das mais brilhantes canções de Charly. 

"Me escapé sin pensar, 
escuché a los Beatles 
y me fui a buscar la soledad 
y vos también estabas verde."

5. Yo no quiero volverme tan loco

Um belo poema sobre a angústia juvenil argentina na época do regime militar. A participação de León Gieco no vocal engrandece ainda mais este tema.

"Escucho un tango y un rock
Y presiento que soy yo
Y quisiera ver al mundo de fiesta.
Veo tantas chicas castradas y tantos tontos que al fin
Yo no se si vivir tanto les cuesta.
Yo quiero ver muchos más delirantes por ahí
Bailando en una calle cualquiera
En Buenos Aires se ve
Que ya no hay tiempo de más
La alegría no es sólo brasilera."

6. Canción de dos por tres

"Canción de dos por tres" é junto com "Yo no quiero volverme tan loco" uma das faixas mais melancólicas e reflexivas do álbum. Tanto a letra quanto a música lembram muito o álbum "Peperina" lançado ainda com a banda Serú Girán no ano anterior. A canção assim como as demais faz referência ao governo militar, mas abre espaço para interpretações. Acho que a mensagem que fica é sobre a passagem do tempo e sobre como precisamos esquecer o passado e seguir em frente.

7. Peluca telefónica

A sétima faixa do álbum já possui uma pegada mais alegre e pop que as faixas anteriores. Conta com a participação de Pedro Aznar e Luis Alberto Spinetta. A letra parece não ter sentido mas é divertida.

8. Inconsciente colectivo

Esta é a minha canção favorita do álbum e também uma das minhas canções favoritas dentro da obra de Charly. "Inconsciente Colectivo" é quase um hino, uma ode à liberdade. A canção ganhou notoriedade principalmente após ser regravada pela famosa cantora folclórica Mercedes Sosa reforçando seu significado político como metáfora de uma nova etapa democrática que se aproximava com o colapso do regime militar. Mas a despeito deste contexto, o que torna as canções eternas é a capacidade de transcender seu contexto original e é justamente o que ocorre com Inconsciente Colectivo. 

"Mamá la libertad, siempre la llevarás 
dentro del corazón 
te pueden corromper 
te puedes olvidar 

pero ella siempre está."

Considerações finais: "Yendo de la cama al living" é um disco inaugural da carreira solo de um experiente artista que faz referências e homenagens a seus trabalhos anteriores, porém aponta para o que será sua nova fase. Algumas pessoas podem achar que o uso de teclados é exagerado, mas é bom lembrar que se trata de um disco dos anos 80, e eu particularmente acho que os teclados dão muita personalidade ao disco e tornam as melodias inesquecíveis. As canções são ao mesmo tempo pop e sofisticadas e as participações especiais são a cereja do bolo.

Volto no próximo post para falar um pouco sobre o disco "Clics Modernos" de 1983.

Abs! XD

2 comentários:

  1. Muito bom, Rodrigo.
    Conhecia o Charly Garcia só de ouvir falar.
    Gostei muito, e estou empolgada para conhecer mais a obra do cara.

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  2. Ah, além do que, as letras engajadas e críticas são sensacionais!

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